Dia dos namorados – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

  • Caros leitores e leitoras, já fiz artigos sobre o dia dos namorados. Será que namorar tem dia? Mas chegou o doze de junho, e ponho-me a refletir sobre a regência do verbo namorar que deve ter algo a ver com realidades diferentes: o que está certo: namorar o(a) ou namorar com? Aurélio, no seu dicionário, informa: namorar o(a) (v.t.d.) é procurar, inspirar amor, cativar, atrair, seduzir; namorar com é manter relação de namoro.

Antigamente, se Maria estava namorando o Francisco, significava que vivia suspirando por ele, sonhando com ele e seu coração batia aceleradamente quando o via; trocava olhares e ficava na expectativa de sua aproximação; se conseguiam se encontrar, a emoção falava mais alto que suas vozes e só se tocavam, levemente, com as mãos dadas e, assim mesmo, às escondidas.

Atualmente, o casal mal se conhece, depois de óbvia troca de olhares, o flerte antigo, e já faz planos para dormir junto. Namorar com significa, portanto, viver junto! Que pena! Como era bonito o sonho de flertar com o namorado, saber o horário em que ele ou ela passaria na avenida Eduardo Ribeiro, depois das sessões do Cine Odeon ou na praça da Saudade!…Conjugar o verbo namorar em todos os sentidos me remete ao sentido da celebração.

Celebrar o amor, o tesão, o desejo e muito além disso, celebrar o perdão. É um misto de companheirismo, amizade, cumplicidade e êxtase ao mesmo tempo. Na construção contraditória de dois. Há uma lenda japonesa antiga que conta que havia um pássaro solitário de nome Hiyoku, cuja característica era a de possuir apenas um olho e uma asa. Não conseguia viver, individualmente.

Quando encontrava sua companheira e por ela se apaixonava, os seus corpos se uniam, formando um só, capaz de voar, de ver, de viver. Hiyoku tornou-se símbolo daqueles que somente encontram a felicidade quando unidos pelo amor a outro ser. Esta lenda ressalta a importância do amor: somente se completando é que os seres, sobretudo o homem, se realizam: há necessidade de uma doação mútua para a realização da vida para a qual foram vocacionados.

Mas nesse Dia dos Namorados, apesar das dores, sofrimentos e histórias passadas de perdas, etc., ficamos juntos celebrando não só o amor em primeira instância a nós mesmos como pessoas, não narcísicas, mas conscientes de quem somos, celebramos também o amor pelo outro que estabelecemos como nosso objeto de desejo.

Celebramos o amor que sentimos, que invade o peito, que acresce no coração, compartilhado com o nosso outro. E o convite a esta celebração é a continuidade desse amor na construção cada vez mais ampla e abrangente desse sentimento, capaz de transcender os percalços que provavelmente virão, e usá-los não contra ele (o amor) mas a favor dele, cada vez mais.

Cresçamos juntos, pois como diz o poeta beleza é fundamental, e digo eu: a beleza do amor também é fundamental. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

O amor é sofredor, é benigno, o amor não é invejoso, o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com injustiça, mas folga com a verdade. Feliz Dia dos namorados.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui