
A disputa pelas oito vagas do Amazonas na Câmara dos Deputados em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, mas ainda está longe de apresentar um quadro consolidado. Com 137 candidatos registrados por 13 partidos e 3 federações partidárias, a eleição reúne atuais deputados federais, ex-parlamentares, ex-prefeitos, vereadores e deputados estaduais.
Dentro desse universo, esta análise identifica 16 nomes, distribuídos entre seis partidos e federações, que aparecem no cenário como candidatos com possibilidade de conquistar uma das oito cadeiras.
A projeção toma como referência os resultados das eleições de 2022, a trajetória eleitoral das principais lideranças, a estrutura das chapas, o volume de campanha, as bases políticas e os movimentos registrados para a eleição de 2026.
Dos oito deputados federais eleitos pelo Amazonas em 2022, sete tentam permanecer na Câmara. Adail Filho (MDB), Amom Mandel (Republicanos), Átila Lins (PSD), Fausto Jr. (União Brasil), Saullo Vianna (MDB), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos) buscam a reeleição.
A exceção é Capitão Alberto Neto (PL), que deixou a disputa pela Câmara para concorrer ao Senado.
A eleição também colocou no tabuleiro nomes conhecidos da política amazonense. Entre eles estão Arthur Neto (MDB), ex-prefeito de Manaus e ex-senador; Alfredo Nascimento (PL), ex-prefeito, ex-ministro dos Transportes, ex-senador e ex-deputado federal; Joana Darc (União Brasil), deputada estadual; Tadeu de Souza (PP), ex-vice-governador; e Pauderney Avelino (PSD), ex-deputado federal.
Também aparecem no cenário nomes que tiveram desempenho expressivo em eleições anteriores, como Salazar, Coronel Menezes e Jesus Alves, além de Aryel Almeida, que conta com uma estrutura política ligada à administração municipal de Manaus.
Quociente eleitoral pode ficar próximo de 263 mil votos
O tamanho da votação necessária para conquistar uma cadeira será um dos principais elementos da disputa.
O quociente eleitoral definitivo, entretanto, somente será conhecido depois da apuração dos votos válidos de 2026. Para esta simulação, foi considerado um crescimento de aproximadamente 5,97%, equivalente a 118.910 votos válidos a mais em relação à eleição anterior.
Com essa estimativa, a referência utilizada chega a 2.100.886 votos válidos.
Aplicando esse crescimento aos votos válidos, o quociente eleitoral projetado para deputado federal fica próximo de 262.610 votos.
Para efeito da simulação, trabalha-se com uma faixa entre 255 mil e 263 mil votos para uma chapa alcançar uma cadeira diretamente pelo quociente eleitoral.
Mas o resultado não depende apenas da votação individual. A força da chapa, a soma dos votos dos candidatos e a distribuição das vagas remanescentes podem alterar significativamente o desenho final da bancada.
Como está o mapa da disputa pelas oito cadeiras
Esta análise é uma simulação eleitoral e não possui validade científica nem substitui pesquisa eleitoral registrada. O objetivo é apresentar um possível mapa da disputa a partir dos resultados anteriores e das condições políticas observadas para 2026.
MDB aparece com possibilidade de duas cadeiras
O MDB surge no cenário com possibilidade de conquistar duas das oito vagas.
A legenda reúne dois deputados federais que buscam a reeleição, Adail Filho e Saullo Vianna, além de Arthur Neto e Jesus Alves.
Na disputa interna, Saullo Vianna aparece como o nome mais forte da chapa dentro dos critérios utilizados nesta análise.
A segunda cadeira permanece em disputa entre Adail Filho, Arthur Neto e Jesus Alves.
O desempenho do conjunto da chapa será determinante para saber se o partido conseguirá transformar a votação individual de seus principais candidatos em duas cadeiras.
PL aposta em uma chapa puxada por Salazar
O PL também aparece com possibilidade de conquistar duas cadeiras.
Nesta projeção, a candidatura do vereador de Manaus, sargento Salazar, é considerada um dos principais motores eleitorais da legenda. A estimativa utilizada trabalha com uma votação entre 220 mil e 330 mil votos.
Se essa votação se confirmar e for acompanhada por desempenho suficiente dos demais candidatos, o partido poderá alcançar uma segunda cadeira, considerando as regras de distribuição das vagas.
Na disputa por essa segunda vaga aparece Alfredo Nascimento, que tenta retornar à Câmara dos Deputados.
Outro nome que poderá alterar esse cenário é o vereador Coronel Rosses. Sua candidatura poderá disputar parte do eleitorado herdeiro e associado a Capitão Alberto Neto e criar uma disputa interna pela vaga.
Republicanos tenta manter duas cadeiras
O Republicanos chega à disputa com os deputados federais Amom Mandel e Silas Câmara buscando a reeleição.
A possibilidade de a legenda manter duas cadeiras passa pelo desempenho dos dois candidatos.
Nesta simulação, Amom Mandel precisaria manter uma votação próxima dos 288 mil votos obtidos anteriormente ou permanecer em uma faixa próxima dos 200 mil votos.
Silas Câmara, por sua vez, precisaria crescer aproximadamente 10% em relação à votação anterior, chegando à casa dos 137 mil votos.
Se esse desempenho não se confirmar, o Republicanos poderá terminar com apenas uma cadeira, deixando uma vaga em disputa com outras legendas.
União Progressista tem três nomes na disputa
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, poderá conquistar uma cadeira.
Entre os principais nomes estão o deputado federal Fausto Jr., a deputada estadual Joana Darc e o ex-vice-governador Tadeu de Souza.
Fausto Jr. busca a reeleição e aposta em uma campanha com presença na capital e no interior.
Joana Darc aparece como uma das principais candidatas da federação e poderá entrar na disputa por uma vaga na Câmara. Seu desempenho estará relacionado à manutenção de sua votação anterior e à capacidade de ampliar seus apoios políticos ligados ao atual governador Roberto Cidade.
Tadeu de Souza, que foi vice-governador do Amazonas, deixou a disputa de governador e passou a concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, mas, sua campanha não demostrou volume nem força política.
PSD pode ter uma disputa voto a voto
O PSD aparece com possibilidade de conquistar uma cadeira.
A disputa interna da legenda envolve dois nomes conhecidos do eleitorado amazonense: Átila Lins e Sidney Leite.
Na eleição anterior, a diferença entre os dois foi de apenas cerca de 220 votos. Por isso, a disputa interna poderá novamente ser decidida por uma margem estreita.
Os dois candidatos possuem bases importantes no interior do Estado. Neste cenário, o maior desempenho em grandes colégios eleitorais somado com Manaus poderá ser decisivo para definir quem levará vantagem dentro da chapa.
Avante tenta entrar no jogo
O Avante aparece em uma situação diferente das demais legendas.
A chapa reúne Aryel Almeida e Coronel Menezes, com destaque nesta projeção para Aryel Almeida.
O principal desafio é alcançar o quociente eleitoral. A legenda poderá chegar a aproximadamente 80% desse patamar e entrar na disputa pelas vagas remanescentes, mas ainda assim não teria a cadeira garantida.
A projeção utilizada nesta análise aponta que a chapa precisaria alcançar pelo menos 214 mil votos.
Nesse cenário, Aryel Almeida precisaria funcionar como principal puxadora de votos, chegando à casa dos 120 mil, enquanto Coronel Menezes teria de alcançar aproximadamente 70 mil votos.
Dentro das premissas adotadas, trata-se de um cenário de baixa probabilidade, mas que pode alterar a composição final caso a votação da legenda supere as expectativas.
Uma das oito cadeiras continua em aberto
É justamente nessa faixa da disputa que está uma das principais incógnitas da eleição.
O desempenho de Avante, PSD e Republicanos poderá definir a ocupação de uma das oito cadeiras.
Se o Republicanos confirmar uma votação suficiente para eleger dois deputados, poderá manter duas vagas. Mas uma votação mais forte do PSD poderá alterar esse desenho.
O Avante também poderá entrar no cálculo caso consiga atingir o quociente eleitoral e apresentar uma votação competitiva nas sobras.
Assim, uma pequena diferença na votação das legendas poderá provocar uma mudança significativa na composição da bancada.
Campo da esquerda não aparece entre as candidaturas projetadas
Nesta simulação, PT, PCdoB, PDT, PSB, PV, PSOL, PSTU, Rede e Unidade Popular não aparecem entre as candidaturas com possibilidade de conquistar uma das oito cadeiras.
A análise considera que, embora a candidatura de Lula tenha força eleitoral no Amazonas, esse desempenho não se traduz, até o momento, em transferência suficiente de votos para as candidaturas do campo da esquerda.
A eleição ainda está aberta
O mapa apresentado é uma fotografia das condições consideradas nesta análise e não uma antecipação do resultado das urnas.
A composição definitiva da bancada federal do Amazonas somente será conhecida após a apuração dos votos e os cálculos oficiais do quociente eleitoral, do quociente partidário e da distribuição das vagas remanescentes.
Até lá, candidaturas poderão crescer, perder espaço ou modificar suas estratégias. Mudanças nas alianças, na estrutura das chapas e na votação individual dos principais candidatos também poderão alterar o cenário.
Em uma eleição de apenas oito vagas, uma diferença relativamente pequena na votação de determinadas legendas pode significar a conquista ou a perda de uma cadeira.
Por isso, embora alguns nomes já apareçam em posições competitivas, a fotografia da bancada federal do Amazonas em 2026 ainda está em movimento.
Altemir Viana é sociólogo e consultor político.




