
STF bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de esquema em emendas parlamentares, sem ser deputado
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino bloqueou R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha e suspendeu 29 emendas parlamentares, com base em investigação da Polícia Federal (PF), que aponta que o ex-deputado, cassado desde 2016, mantinha influência sobre a destinação de recursos por meio de aliados e de uma servidora da Câmara.
A investigação aponta que Eduardo Cunha, mesmo sem mandato atual, mantinha influência e operava o direcionamento de recursos públicos por meio de uma servidora apontada como operadora do esquema. Segundo a Polícia Federal, as movimentações teriam recebido aval do presidentre da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
Justificando o desvio
A defesa nega irregularidades e diz que Cunha é inocente e nem foi intimado antes do bloqueio do dinheiro desviado.
Segundo os advogados, ele não sabe de nada e rejeitam a tese de “exercício clandestino de mandato”. Destacam ainda que o valor bloqueado é o total das emendas investigadas, mas que ele sequer viu a cor do dinheiro. Ou seja, a argumentação é a mesma do também evangélico, Sóstenes Cavalcante (do PL), todos inocentes.
O caso segue a mesma onda de investigações que já bloqueou R$ 119 milhões dos bens de Valdemar Costa Neto por suspeitas de verbas de emendas parlamentares do orçamento secreto.
Quem é Eduardo Cunha
Eduardo Cunha teve seu mandato cassado pela Câmara dos Deputados em setembro de 2016 por quebra de decoro parlamentar. A acusação principal foi de que ele mentiu à CPI da Petrobras, em 2015, quando negou perante o colegiado ser titular de contas secretas no exterior.
Eduardo Cunha é um político extremista de direita. Ele é amplamente associado a pautas econômicas voltadas para o capital exterior e os ditos valores tradicionais (Deus, Pátria, Família), com atuação ao lado da bancada evangélica.
Foi o ex-deputado cassado que presidiu a Câmara dos Deputados e induziu a bancada federal no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, decisão que culminou por entregar o País ao bolsonarismo e ao caos político e estrutura corrupta em que está hoje.




