
A possibilidade de uma nova seca severa na Amazônia reacende a preocupação do setor hidroviário com a demora na execução das dragagens em rios estratégicos da região. Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), o governo federal destinou cerca de R$ 300 milhões para dragagens emergenciais nos últimos três anos. No entanto, a entidade afirma que grande parte das obras foi realizada quando a estiagem já havia causado os principais impactos ao transporte fluvial.
De acordo com a Abac, foram investidos aproximadamente R$ 100 milhões por ano no período, mas os recursos acabaram sendo aplicados em ações corretivas, e não preventivas. Para os armadores, as intervenções ocorreram tardiamente e não impediram os prejuízos provocados pela redução do nível dos rios.
Com a previsão de um cenário climático influenciado pelo super El Niño, o setor teme que os problemas enfrentados nos últimos anos se repitam em 2026.
Em resposta aos questionamentos, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que o planejamento das obras está alinhado à evolução do cenário hidrológico. Já o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) afirmou que acompanha a situação dos rios 24 horas por dia, por meio de um painel de monitoramento que auxilia na tomada de decisões.
Apesar disso, a Abac cobra maior clareza sobre o cronograma das intervenções.
“Junto ao DNIT, temos questionado reiteradamente o cronograma das dragagens necessárias, mas as respostas recebidas até o momento têm sido pouco objetivas e não esclarecem quando as intervenções serão efetivamente realizadas”, afirmou à Agência iNFRA o diretor-executivo da Abac, Luís Fernando Resano.




