
Prefeitura de Manaus promoveu, nesta sexta-feira (29/5), uma apresentação técnica da obra “Moradia sobre as Águas – Regularização Fundiária das Palafitas no Brasil”, reunindo arquitetos, engenheiros e especialistas em urbanismo para discutir soluções voltadas às ocupações em áreas alagadas da Amazônia.
O encontro aconteceu com servidores do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e contou com a presença dos autores da publicação, Ayrton Klier Péres Junior, Felipe Boni de Castro e Gustavo Braz Carneiro. A obra foi lançada oficialmente durante a Semana Nacional Solo Seguro Favela, promovida pela Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ-AM).

Durante a programação, os participantes debateram temas relacionados à regularização fundiária, sustentabilidade ambiental e inclusão social das famílias que vivem em áreas de palafitas, realidade presente em diversas regiões de Manaus.
O diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, destacou que a iniciativa fortalece o debate sobre urbanismo social e planejamento urbano adaptado às características amazônicas.
“Manaus possui uma relação histórica com as moradias sobre as águas, principalmente na região da orla do rio Negro. Discutir esse tema com profissionais que estudam essa realidade é fundamental para pensar soluções mais humanas e adequadas para a cidade”, afirmou.

A programação também relembrou a ligação do arquiteto Gustavo Carneiro com Manaus. Segundo Antonio Peixoto, o profissional participou, em 2004, do concurso responsável pelo projeto do Parque dos Bilhares, um dos espaços urbanos mais conhecidos da capital.
O assessor técnico do Implurb, Eraldo Bandeira, explicou que a palestra teve como objetivo ampliar o conhecimento técnico dos profissionais da autarquia sobre metodologias de regularização fundiária em áreas alagadas.
Durante a apresentação, Gustavo Carneiro ressaltou que compreender as cidades amazônicas exige considerar aspectos culturais, sociais e ambientais específicos da região.
“Não é possível discutir urbanismo na Amazônia sem entender a dinâmica das palafitas e das populações que vivem sobre as águas. É uma realidade histórica e cultural que precisa ser tratada com sensibilidade e planejamento”, destacou.
Os autores defenderam ainda um olhar mais inclusivo sobre essas comunidades, conciliando o direito à moradia com a preservação ambiental. Para o biólogo Ayrton Klier, soluções urbanísticas devem garantir dignidade às famílias sem desconsiderar a importância da conservação da floresta e dos rios amazônicos.
Publicada pela Editora Thoth, a obra reúne estudos interdisciplinares sobre regularização fundiária em áreas de palafitas e apresenta discussões jurídicas e urbanísticas voltadas à proteção ambiental, organização urbana e garantia de direitos sociais.




