Filipinas envia 1.500 toneladas de lixo para o Canadá

Embarcação enviada pelo Canadá para transportar os containers com lixo - Foto: Reproduzida por Noel Celis

A última sexta (24/05) foi um divisor de águas para as Filipinas. Nesta data, o país devolveu para o Canadá 1.500 toneladas de lixo que havia sido deixado em seu território. Essa atitude internacional foi motivada pela recente rebelião de alguns países asiáticos diante do descaso ocidental. Afinal, o ditado “Dê a César o que é de César.” precisa ser usado.

No Ocidente, diversas nações possuem a cultura de tratar países da Ásia como um depósito de lixo — padrão que tem se reproduzido por mais de 25 anos. A China, por exemplo, era uma das maiores vítimas até o ano passado, quando baniu definitivamente a importação de plástico.

A decisão fez com que todo o foco se virasse para países como Malásia, Vietnã e Filipinas — que se tornaram os novos lixões internacionais na visão ocidental. O trio possui regulamentos ambientais mais flexíveis (e fracos), permitindo que o lixo seja, por exemplo, simplesmente queimado ou despejado em locais específicos por um custo consideravelmente reduzido.

Essa relação, no entanto, tem gerado muitas problemáticas ao longo dos anos. Os funcionários que lidam diretamente com a recepção desse lixo estrangeiro reclamam com frequência da rotulagem incorreta dos resíduos — um grande impeditivo para o descarte adequado. E, evidentemente, o prejuízo cai na conta dos países destinatários.

Manifestantes filipinos protestam contra a atitude do Canadá – Foto: reproduzida por Aaron Favila

O caso das Filipinas envolvendo o Canadá deu ainda mais visibilidade à rebelião. Esse território já guardava resíduos canadenses desde 2013, segundo o jornal The Guardian. Mas, as tensões só aumentaram de fato quando o governo filipino descobriu por meio de funcionários que o lixo havia sido rotulado erroneamente, fazendo com que toneladas de detritos domésticos fossem mandados no lugar da carga original.

O Canadá, então, desde que recebeu a notificação, assumiu a responsabilidade de recolher o lixo até o dia 15 de maio. Todavia, o acordo não foi cumprido. Diante disso, em um ato de protesto, as Filipinas retiraram seu embaixador das terras canadenses. Os dois países estabeleceram, posteriormente, o dia 30 deste mês como prazo final.

De acordo com Wilma Eisma, administradora portuária filipina, a carga embarcou com sucesso em uma jornada de 20 dias em direção ao porto de Vancouver. A BBC informou, inclusive, que todos os custos da viagem foram pagos pelo dinheiro canadense.

Ativistas, para comemorar a conquista, fizeram um ato próximo ao porto de Subic Bay, localizado na ilha Luzon. Eles carregavam uma faixa que dizia “Filipinas: não um depósito de lixo”. Além disso, o secretário filipino de Relações Internacionais, Teodoro Locsin, também deixou pública sua satisfação no Twitter — com um leve toque de humor sarcástico.

Aproveitando o momento, a Malásia declarou que também se recusa a servir de lixão para o Ocidente e irá devolver cerca de 3.300 toneladas de resíduos para os países de origem.

“Esta é uma demonstração de que vamos cumprir nossas obrigações internacionais de lidar com os resíduos originários do Canadá.”, disse o Sean Fraser, secretário parlamentar do Ministério do Meio Ambiente do Canadá, em declaração à BBC.

Fonte: Mega Curioso

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