Fuam realiza mutirão pelo Dia Mundial de Combate à Hanseníase

Foto: Bruno Zanardo/Secom

O Governo do Amazonas, por meio da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), realizou, neste sábado (27/01), um mutirão dermatológico, como parte da campanha “Janeiro Roxo”, promovida pelo Ministério da Saúde, durante o mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase. Cerca de 800 pessoas foram atendidas na Escola Estadual Gilberto Mestrinho, no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus. A campanha, no âmbito estadual, está sendo coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam).
O mutirão contou com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Do total de 800 fichas disponibilizadas à população, 400 foram para pacientes agendados pelo Sistema Nacional de Regulação do Sistema Único de Saúde (Sisreg). As outras 400 foram distribuídas por ordem de chegada.

O secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, ressaltou a importância da campanha Janeiro Roxo, para a conscientização sobre a necessidade do exame.

Segundo o diretor-presidente da Fuam, Helder Cavalcante, a iniciativa tem o objetivo de ampliar o diagnóstico precoce da doença. “Quanto mais rápido identificamos, mais rápido começamos o tratamento, que é simples e fácil. O diagnóstico também é fácil, por isso, trouxemos toda nossa equipe dermatológica para atender aqui e garantir que se tivermos casos, vamos detectar e fazer o acompanhamento”, ressaltou.

Foto: Bruno Zanardo/Secom

Mais de 100 profissionais da saúde realizaram os atendimentos, que incluíram a realização de testes rápidos de HIV e Sífilis. “Nós estamos aqui com um objetivo, que é combater a Hanseníase, mas nós estamos atendendo todos os casos. Aquilo que pode ser solucionado com uma consulta, receitado remédio, já estamos resolvendo. Para a Fundação, estamos encaminhando casos mais complexos, que precisam ser melhor analisados”, destacou Cavalcante.

Além da consulta, muitos pacientes já saíram com o medicamento receitado pelos médicos. A equipe de farmacêuticos da Fuam fez a entrega dos medicamentos. Também foram distribuídos kits com informativos, preservativos femininos e masculinos e lubrificantes.

Acesso – Levar o atendimento à zona leste da cidade facilitou o acesso da população. Morador do bairro Grande Vitória, o aposentado Luiz Marcos Venâncio, de 64 anos, foi um dos muitos que decidiram participar do mutirão pela proximidade e facilidade. “Eu estava com umas manchas há algum tempo, mas eu moro longe, não tenho carro, não conseguia agendar com meus filhos para ir. Eu fui deixando para depois e até que surgiu essa oportunidade aqui perto de casa. Eu vim por causa da facilidade mesmo”.

Foto: Bruno Zanardo/Secom

A dona de casa Luzinete Maia, de 44 anos, também levou o filho, de 9 anos, para o mutirão. Ela foi uma das encaminhadas pelo Sisreg para a ação. A consulta, que era para ser somente para o filho, acabou sendo realizada em conjunto. “Criança sempre tem manchas na pele e eu estava na fila para uma consulta na Fuam. Como teve esse mutirão eu fui avisada que poderia trazê-lo aqui, que teria vaga pra ele. Eu saí muito satisfeita, porque aproveitei e já fui examinada e com receita para o nosso remédio”, disse Luzinete.

No interior – Além da capital, as ações do Janeiro Roxo também alcançam cidades do interior. Em Manacapuru, entre a última quarta-feira (24/01) e esta sexta (26/01), a Fuam realiza consultas e palestras para a população. A ação, que tem apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru, levou equipe com médico dermatologista e técnicos para fazer atendimentos. Já foram consultadas aproximadamente 200 pessoas em três dias.

Ao longo do mês de janeiro, outros municípios, como Apuí, Itamarati e Parintins, estão se mobilizando, com apoio da Fuam. As programações locais envolvem treinamentos na área de Hanseníase, realização de exames dermatológicos e mutirões de saúde com busca ativa de casos novos da doença.

Teatro iluminado – Durante todo o mês de janeiro, a sede da Fundação Alfredo da Matta estará iluminada de roxo, chamando atenção para a campanha. No encerramento da agenda da programação, no dia 31, os principais monumentos do Brasil também ganharão as cores da campanha. Em Manaus, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), o local escolhido para ser iluminado foi o Teatro Amazonas. No Largo São Sebastião, equipes de saúde farão a sensibilização dos frequentadores do local sobre a Hanseníase, com distribuição de material informativo.

Mobilização ao longo do mês – A agenda de mobilização da campanha “Janeiro Roxo” envolve várias instituições do estado e teve início no último dia 12, com a realização de uma caminhada de sensibilização pelo bairro Colônia Antônio Aleixo, promovida pelo Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

No dia 24, a Fuam realizou o Seminário de Atualização em Hanseníase. O evento contou com apresentação de temas relevantes na área da Hanseníase, dados sobre a doença no Amazonas, além de pesquisas importantes, como a de autoria da médica da Fuam, Rossilene Cruz, sobre a “Avaliação da Eficácia do Esquema Único de Multidrogaterapia para o Tratamento da Hanseníase”.

Hanseníase no Amazonas – Os casos de Hanseníase no Amazonas reduziram nos últimos anos, passando de 44,3 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 2000, para 10,98 para cada 100 mil habitantes, em 2017, o que representa uma queda de 75,2%, em 17 anos. Em Manaus, a redução foi ainda mais significativa, de 86,1%, em 17 anos, apresentando hoje 5,91 casos para cada 100 mil habitantes.

Apesar da redução dos números, os médicos alertam para que a população faça consultas periódicas. Em 2017, foram detectados 446 casos novos de Hanseníase no Amazonas. Do total de casos novos, 126 (28,3%) eram residentes em Manaus e 320 (71,7%) moradores de outros 56 municípios. Em 2016, foram 443 casos.

Na faixa etária de maiores de 15 anos foram detectados 413 (92,6%) casos e em menores de 15 anos, 33 (7,4%). Do total, 60,5% (270) dos casos ocorreram entre pessoas do sexo masculino e 39,5% (176) do sexo feminino.

Os municípios que apresentaram o maior número de casos foram: Manaus (126), Pauini (22), Humaitá (18), Tapauá (18), Itacoatiara (17), Parintins (16), Lábrea (13), Carauari (12), Silves (11), Boca do Acre e Santa Izabel do Rio Negro (10 casos, cada). Em Manaus, as zonas da cidade apresentaram o seguinte perfil: Zona Leste, com 39 casos (30,9%), Norte, com 34 (27%), Sul, com 18 (14,3%), Oeste, com 17 (5,5%), Centro-Sul, com 6 (4,7%) e Rural, com 5 (4%).


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