Holofotes – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Dizia Oscar Wilde, que “o mundo é um grande palco. Pena seja o enredo tão ruim”. As comissões parlamentares de inquéritos, as famosas CPIs, se transformam em palcos iluminados, onde se desenrola um enredo muito pobre, representado por arremedos de atores pouco versados na verdadeira arte de representar. Ao contrário do que diz a famosa canção Chão de Estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, os protagonistas não estão vestidos de dourado e muito menos as ilusões são tão perdidas assim. Pela única razão de que a simples instalação de uma CPI rende àqueles que a requereram instantes de efêmera glória publicitária. Projeta sobre eles as luzes da grande mídia. Todavia, passados os primeiros momentos da ação dos torquemadas parlamentares, o assunto vai caindo na rotina até que o desinteresse retira da pauta o assunto que lhe deu causa e a maioria de seus integrantes volta ao anonimato. Foi assim no passado. Um admirável instrumento de fortalecimento da instituição parlamentar transformado em pantomima para dar pasto à jactância daqueles que estão bem distantes do cumprimento dos estritos deveres do mandato.

Quando um ilustre membro do Parlamento, de vereador a senador, resolve incomodar um adversário ou tentar escapar da obscuridade que pode prejudicar sua reeleição, brande a ameaça terrível de requerimento de uma CPI, da qual se aproveitam jornalistas para lançar mais achas na fogueira das vaidades em que vai certamente se transformar.

No dia da instalação, o espetáculo é empolgante. Casa cheia. Rádio, televisão e jornais. Todos os membros presentes, escolhidos presidente e relator depois de demoradas articulações entre os partidos, igualmente sequiosos de usufruírem a inevitável preferência das manchetes dos órgãos de divulgação, perfaz-se a agenda dos depoimentos a serem tomados. Em face da maré montante de escândalos, permeando toda a seara governamental e o partido que a apoia, disputam a primazia de merecer maior espaço na mídia, especialmente nos canais do Senado e da Câmara, institucionalmente determinados para tal cobertura.

Como o grau de imoralidade suplantou todas as expectativas da opinião pública, incrédula ela se agarrou à televisão para ver com os próprios olhos aquilo que lhe parecia sonho ou devaneio. Começa um perturbador jogo de vaidades entre os ilustres parlamentares, cada qual procurando aparecer mais, muitos perdendo tempo com parvidades e contribuindo para a degradação da importante instituição legislativa. Simplesmente porque seus autores e membros deixaram de ser notícia para a grande mídia. Perdido o interesse, o efeito é imediato. Ficam vazios os plenários, depoentes não comparecem, enfim, o ato final que deveria ser apoteótico termina como o epílogo de um dramalhão ante o bocejar da plateia cansada.

Contudo não é assim na atual CPI da COVID, presidida pelo ilustre senador amazonense Omar Aziz, que coloca ordem nos trabalhos, evitando superposições de tarefas, usando termos amazônicos para ironicamente cutucar os depoentes mentirosos, conseguindo êxito  impondo o silêncio a alguns mais afoitos em seu afã exibicionista. As CPIs são fundamentais para o funcionamento dos parlamentos. Algumas, levadas a sério, produziram excelentes resultados, principalmente as que trabalharam no silêncio produtivo dos debates não merecedores das honras especiais da imprensa.

Quando desde logo se transformam em espetáculo, seu corolário é o fracasso. No caso presente tal não poderá jamais ocorrer. Seria enorme frustração para a opinião pública, especialmente depois de destampada a panela da corrupção, exalando mau cheiro para todo o País. No caso da CPI presente, foram descobertas as verdadeiras maracutaias para compra de vacinas, e a forte indicação de que o Presidente da República, foi omisso na pandemia e deu de ombros para a inicial compra de vacinas. Fica o registro que depois do relatório pronto, esta CPI, prestará uma grande contribuição ao País, evitando a compra de vacinas que nunca chegariam, e desvendando o Gabinete Paralelo da Presidência da República.

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