Merecido e necessário o Dia Internacional da Mulher – por Aparecida Veras

Aparecida Veras é advogada, membro da Comissão da Mulher da OAB/AM - foto: divulgação

“Nem deveria existir o Dia Internacional da Mulher”. Ouvi algumas vezes essa frase, dita por homens, mas também por mulheres.

Que bom seria se a mulher ao longo de sua existência sempre tivesse sido tratada como realmente deveria, ou seja, como um ser capaz de realizar o que quisesse e como quisesse, tal qual sempre ocorreu com os homens. No entanto, nunca foi assim.

A história nos mostra que nascer mulher por si só, é um ato político, uma vez que a vida da mesma é marcada por lutas contra a rejeição e o preconceito, desde a sua concepção.

Sim, desde a concepção, porque antes da ciência revelar que o homem é o responsável por definir o sexo do bebê, a mulher carregava a “culpa” por conceber outra mulher e o estigma de não poder “dar ao marido” um filho homem.

Superado esse período, a gestação de uma criança do sexo feminino passou a ser fruto de uma “fraquejada”, ou seja, mais uma vez a mulher tem que se erguer para seguir superando estigmas.

Sair de casa sozinha nem pensar, andar sozinha não era coisa de mulher séria. Um padrão de comportamento ditado pela sociedade patriarcal.

Para conquistar o direito de estudar a mulher enfrentou batalhas, uma vez que frequentar uma sala de aula e ter formação intelectual era um privilégio apenas dos homens.

A conquista do direito de votar e ser votada foi uma guerra que a mulher travou ao longo de mais ou menos um século. Várias batalhas já foram vencidas. A primeira em 1932 quando a mulher conquistou o direito de votar e ser votada. Agora, a luta é por ampliação da representatividade nos espaços de poder.

Não é sem motivos que foi instituído o dia Internacional da Mulher. A data surgiu exatamente em virtude dessas lutas diárias que a mulher tem enfrentado ao longo de sua existência. Alguns defendem que a data tem origem em Nova York durante uma greve numa fábrica de camisas em que reivindicavam melhores salários e condições de trabalho, local em que posteriormente, várias mulheres trabalhadoras morreram vítimas de um incêndio; outros defendem que surgiu durante a Revolução Russa de 1917 período mercado por várias manifestações de mulheres reivindicando seus direitos.

Independente da motivação, é fato histórico que a mulher já foi considerada um “ser incapaz”, uma “cidadã de segunda classe” e que todas as suas conquistas foram frutos de lutas. Portanto, as mulheres precisam dessa data simbólica e de outras, uma vez que ainda há muitas batalhas a serem vencidas.

Neste dia Internacional da Mulher já contabilizamos muitas vitórias, a considerar que, em 1916, o marido podia aplicar castigos físicos na mulher. Um absurdo! Avançamos em 1932 com a conquista do voto; em 1962 a mulher deixou de ser considerada incapaz; 1967 a discriminação contra a mulher passa a ser considerada incompatível com a dignidade humana; em 1988, a Constituição Federal consagra igualdade entre homens e mulheres; em 2006, a Lei Maria da Penha passou a existir; 2018 a importunação sexual passou a ser crime. Esses são alguns exemplos do quanto avançamos.

Neste 08 de março, queremos reverenciar e agradecer as inúmeras mulheres que enfrentaram todo tipo de preconceito, ironia, zombaria, muitas vezes sendo ridicularizadas em virtude de suas lutas em defesa dos direitos que hoje estamos usufruindo. Mulheres como Chiquinha Gonzaga, Nísia Floresta, Leolinda Daltro, Bertha Lutz, Maria da Penha, dentre outras, merecem toda a nossa gratidão.

Não podemos esquecer de agradecer as mulheres que todos os dias lutam para que possamos alcançar o respeito e grau de representatividade que a mulher tem direito.

Obrigada a todas as Marias, as Tânias, as Gláucias, as Sandras, as Bárbaras, as Carlas, as Graces, as Yacis, as Annes, as Kamilas, as Albertinas, as Nises, as Karolines, as Alines, as Danielas, as Lacys. Enfim, a todas as mulheres que lutam por seus direitos e nos fazem acreditar que nós podemos ser tudo que quisermos e que a luta não tem sido em vão.

*Aparecida Veras é advogada, membro da Comissão da Mulher da OAB/AM, da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção Eleitoral da OAB/AM e da Coordenação do Comitê do Amazonas de Combate à Corrupção e ao Caixa Dois Eleitoral.

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