Metalúrgicos enfrentam seis das ‘piores pedreiras’ no Polo Industrial de Manaus

Valdemir Santana, em cima do carro de som, na porta de fábrica - foto: recorte/montagem

O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindimetal), enfrenta seis ‘pedreiras’ no Polo Industrial de Manaus (PIM), que tem identidade e nome de P&G, Flextronics, Samsung, Moto Honda, LG e a Yamaha, que são as que mais faturam e as que mais exploram e massacram os seus trabalhadores.

De todas as fábricas instaladas no PIM, a P&G é a única que cumpre apenas 37% do que está na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), além de ir de encontro às Leis do Trabalho, normas da saúde e sanitárias. “Se um trabalhador quiser perder peso, ter problemas estomacais e intestinais, é só se empregar na P&G. No máximo em um mês já estará internado”, dispara o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana.

Dentro dos 63% que a P&G deixa de cumprir, estão a falta de plano de saúde para os trabalhadores, alimentação de péssima qualidade, sem creche. No ranking das 10 piores indústria do PIM, a P&G lidera.

De pior para ruim

A 2ª pior, segundo o sindicalista Valdemir Santana, é a Flextronics, com 55% da CCT, sem creche, sem alimentação de qualidade, excesso de mão-de-obra temporária, nem ambulância. Ou seja, é uma empresa indigesta para o trabalhador. “Ela já foi pior, mas continua ruim”, destaca.

A 3º pior, a Samsung da Amazônia, com 63% da CCT, com excesso de temporários sem acordo com o Sindicato, horários irregulares, sem direito sequer de ir ao banheiro fazer as necessidades básicas, mas permitindo 15 minutos, por cigarro, para os coreanos fumarem à vontade durante todo o dia.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana – foto

Subtraindo 1 dia

Na Samsung o funcionário trabalha 31 dias, mas só recebe 30. Na matemática deles, sempre tem um dia a menos no pagamento do trabalhador. Que é uma forma de ‘embolsam’ e aumentarem ainda mais o seu lucro extraordinário. A Samsung é uma empresa que fabrica celulares cronometrados em ‘segundos/cada’, mas que explora ao máximo, em dias e horas, quem faz essa produção.

Empresa do 13º, menos

A 4ª do Ranking com 67% da CCT, a Moto Honda da Amazônia tem o setor de embalagem inteiro sem cumprir a CCT e mais de 300 contratos irregulares, tem discriminação nos benefícios internos, favorecimento dos estrangeiros coreanos, excesso de mão de obra temporária. Ela é aquela empresa que ‘surrupia’ parte do 13º salário dos seus funcionários.

Melhor que a Samsung

Na 5º posição das piores, figura a LG da Amazônia, com 80% da CCT e setor de embalagem irregular, pagando salário mínimo aos seus trabalhadores, rotatividade das máquinas, que deveriam ter turnos definidos.

Apesar dos pesares, a LG é uma das empresas coreanas, que recebe incentivos da ZFM, melhor até que a Samsung, mesmo faturando cinco vezes menos que a líder de lucro líquido do Estado.

Valdemir Santana em cima do carro de som do Sindimetal – foto: recorte/vídeo

Em 6º lugar com 85% da CCT, a Yamaha é melhor que a sua concorrente Honda, mas ainda assim, ela tem um problema sério. A empresa possui um plano de saúde seletivo, escolhe a dedo quem fica com o melhor e quem fica com o pior plano. Ou seja, a Yamaha define muito bem o que ela entende por ‘turma do andar de cima’ e os que estão no nível do tapete (chão de fábrica).

O Sindicato é contra esta discriminação. “Tem que ser igual para todos, porque a fonte de pagamento são os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM)”, assinala Santana.

Apesar de serem apontadas como ‘pedreiras’, em termos comparativos, a Yamaha que é menor que a Honda, cumpre melhor a Convenção Coletiva de Trabalho, assim como, a LG em relação à milionária Samsung. Ou seja, quanto mais a empresa fatura, mais ela quer massacrar a classe trabalhadora.

Maior parte do Bolo

As seis maiores do PIM, são as que engolem a maior parte do bolo, algo em torno de 70% de todo o faturamento da ZFM e as que mais exploram o trabalhador, sem cumprir em média, 54% da CCT. “Isso é uma vergonha”, diz Valdemir.

Medidos em segundos

Nos idos de 80, os trabalhadores da Moto Honda montavam uma motocicleta em ‘56 segundos’, hoje são gastos ‘11 segundos’ para cada unidade ser montada, mas a carga horária permanece a mesma, com as atividades repetitivas não tendo fiscalização, fazendo vítimas graves a cada dia mais, no PIM.

“Esse é um dos motivos de terem tantos trabalhadores doentes, saídos das linhas de montagem do Polo Industrial de Manaus, no Amazonas. É um massacre”, deduz Valdemir Santana.

 

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