Moradores da aldeia Laguinho encontram corpo de jovem Munduruku

Foto: Reprodução

O corpo de Josimar Moraes Lopes de 26 anos, do povo indígena Munduruku, foi encontrado na manhã desta sexta-feira por moradores da aldeia Laguinho, nas proximidades do igarapé do Bem Assim, que dá acesso do rio Mari Mari ao rio Urariá, no município de Borba (AM) – localizado a 149 quilômetros da capital. O corpo de seu irmão, Josivan Moraes Lopes, de 17 anos, até o final da tarde não havia sido localizado.

Os dois haviam saído da aldeia juntamente com outras pessoas distribuídas em seis canoas na manhã da última quarta-feira, 05, com destino à cidade de Nova Olinda do Norte, onde iriam receber dinheiro da venda de peixes e comprar gasolina para o transporte escolar. No final do dia, somente cinco canoas haviam retornado. Na manhã de quinta-feira, 06, familiares e outros moradores da aldeia saíram à procura dos rapazes.

De acordo com Gelcimar Freire, cacique geral dos Munduruku do rio Mari Mari, os familiares estão muito revoltados com o ocorrido. Eles atribuem a execução dos jovens a um grupo de policiais militares integrantes de uma operação que ocorre no rio Abacaxis. Do local onde o corpo foi encontrado até o rio Abacaxis o percurso leva em média 40 minutos por via fluvial.

“Segundo me parece eles (os PMs) entraram no lugar errado, só fizeram rodar lá dentro do lago. Saíram e vararam num outro rio chamado Urariá e foram embora para o rio Abacaxis, mas cometeram essa barbaridade”, suspeita Gelcimar Freire. “Deram sumiço no outro corpo e na canoa deles”, acrescenta.

Josimar Moraes, de 26 anos, era condutor da lancha que servia de transporte escolar na aldeia Laguinho do Bem Assim. Seu irmão Josivan, de 17 anos, era estudante. Segundo Gelcimar, nenhum deles tinha envolvimento com atividades ilegais. “A Polícia tem que fazer operações, mas não pode sair matando pessoas inocentes. Queremos saber por que entraram em nossa terra sem consentimento da Funai (Fundação Nacional do Índio)”, questiona Gelcimar Freire.

A aldeia Laguinho do Bem Assim fica localizada na Terra Indígena Kwata/Laranjal – um território demarcado com 1.153 hectares, 42 aldeias e uma população estimada em seis mil pessoas pelas lideranças indígenas.

O corpo de Josemar foi encontrado por Gelcimar Freire e pelo Técnico de Enfermagem Erácio Filho na manhã desta sexta-feira.

A Polícia Militar do Amazonas conduz uma operação no rio Abacaxis desde a última segunda-feira, 03. Naquele dia, dois policiais militares foram mortos em confronto com moradores de um assentamento e outros dois ficaram feridos. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, em nota à imprensa, alegou se tratar de uma ação contra uma suposta “organização criminosa”. A ação ocorreu uma semana depois de conflito envolvendo moradores da comunidade e um empresário que tentava adentar o rio Abacaxis para a prática de pesca desportiva. Na ocasião, ele teria sido alvejado com um tiro.

Na manhã do dia 03, a mesma lancha retornou ao local. Indígenas Maraguá e comunitários, assustados, observaram que os ocupantes estavam armados. Em nenhum momento teriam se apresentado como policiais.

O conflito no final da tarde custou a vida de dois policiais e pelo menos cinco pessoas do assentamento, conforme relato divulgados por moradores. No dia seguinte, um contingente de 50 policiais teriam sido deslocado para a região.

Indígenas que tentavam retornar para suas aldeias localizadas ao longo do rio foram impedidos de entrar até para levar alimentos, disseram lideranças do povo indígena Maraguá.

Nesta sexta-feira, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a juíza federal substituta Rafaela Cassia de Souza, da 9ª Vara Cível da Seção Judiciária do Amazonas, determinou à Polícia Federal que adote as medidas cabíveis para a proteção dos indígenas e populações tradicionais de Nova Olinda do Norte e, ao Estado do Amazonas que se abstenha de impedir a circulação de indígenas e ribeirinhos da região sob pena de multa diária de R$ 100 mil reais.

Organizações e movimentos da sociedade civil em articulação com a Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas – FAMDDI, também se manifestaram em apoio aos indígenas e ribeirinhos do rio Abacaxis.

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