
Presidente afirmou que inteligência artificial precisa de governança internacional e voltou a defender o sistema brasileiro de pagamentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a criação de regras internacionais para o uso da inteligência artificial (IA) e a regulamentação das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
Segundo Lula, o avanço tecnológico traz oportunidades, mas também riscos que, na avaliação do governo brasileiro, exigem mecanismos de controle e transparência. O presidente criticou a concentração do desenvolvimento tecnológico em poucas empresas e países.
“Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades”, afirmou Lula durante o discurso.
O presidente também defendeu uma governança internacional para a inteligência artificial, com participação dos países nas decisões sobre o desenvolvimento e o uso da tecnologia. A proposta brasileira inclui a proteção de direitos e dados pessoais e a redução das desigualdades no acesso aos recursos tecnológicos.
Defesa do Pix
Durante a fala, Lula também citou o Pix e afirmou que o Brasil não pretende ceder a pressões de empresas multinacionais que, segundo ele, poderiam buscar a privatização do sistema.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, declarou.
O presidente classificou o sistema de pagamentos como uma infraestrutura pública e gratuita e afirmou que a ferramenta contribuiu para ampliar a inclusão financeira no país.
Regras para as big techs
Lula também criticou empresas de tecnologia que, segundo ele, conhecem os riscos associados aos próprios produtos, mas transferem para as famílias a responsabilidade de lidar com os efeitos dos algoritmos.
A defesa de regras internacionais para o setor ocorre em meio ao debate global sobre os impactos da inteligência artificial, da circulação de informações e da concentração de poder tecnológico. A própria ONU vem discutindo mecanismos de governança internacional para a IA e os efeitos das novas tecnologias sobre direitos e desigualdades.
O Brasil foi o primeiro país a discursar na abertura do debate geral da Assembleia Geral, seguindo uma tradição mantida pela ONU desde 1955. O encontro reúne chefes de Estado e de governo dos países-membros entre os dias 22 e 28 de setembro.
Fonte: g1




