
ABIN alertou sobre a CRISE E FALTA DO OXIGÊNIO em Manaus 17 dias antes do colapso em Manaus; os governos não tomaram medidas para evitar a asfixia coletiva e mortes
O dia 14 de janeiro de 2026 marca um aniversário doloroso para o Amazonas: cinco anos desde que o oxigênio hospitalar se esgotou na capital, transformando enfermarias em cenários de horror e asfixia.
No entanto, o que antes era visto como um desastre logístico súbito agora ganha contornos de negligência deliberada. Relatórios inéditos da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), trazidos a público pelo Ministério Público Federal (MPF), revelam que as autoridades foram avisadas sobre o risco iminente de desabastecimento em 28 de dezembro de 2020.
Asfixia coletiva
O aviso, emitido exatos 17 dias antes da asfixia coletiva, ignorou o colapso que estava por vir. De acordo com o procurador da República Igor Jordão, os documentos da inteligência provam que tanto o Governo Federal quanto o Governo do Estado tinham ciência da gravidade da situação.

Procuradores detalharam o documento da ABIN em entrevista coletiva cinco anos após a crime na capital amazonense – foto: reprodução
Enquanto o “fantasma” do oxigênio volta a assombrar o Palácio da Compensa no último ano de gestão de Wilson Lima (União), o governador enfrenta outro peso jurídico: ele é réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O processo investiga a compra superfaturada de ventiladores pulmonares em uma loja de vinhos, equipamentos que, além de caros, foram considerados inadequados para o tratamento da Covid-19 na época.
Relatórios da ABIN
Para o MPF, o desvio de recursos públicos através de esquemas como o da loja de vinhos — enquanto alertas da ABIN eram ignorados — demonstra uma gestão que priorizou interesses espúrios em detrimento da vida dos cidadãos.
Os relatórios da ABIN agora servem como provas fundamentais na Ação Civil Pública do MPF, que busca uma indenização de R$ 4 bilhões para as famílias das vítimas.
28/12/2020: Primeiro alerta formal da ABIN sobre a escassez crítica de oxigênio.
08/01/2021: Novos comunicados reforçam que a demanda superaria a produção local em dias.
Pacientes afixiados
14/01/2021: O sistema colapsa; dezenas de pacientes morrem asfixiados em hospitais como o 28 de Agosto e o Delphina Aziz.
Na coletiva realizada nesta quarta-feira (14/01) no auditório da Procuradoria da República, o MPF reafirmou que a obtenção desses documentos foi dificultada pela própria Agência de Inteligência nos últimos anos. Agora, com os dados em mãos, os procuradores pedem que o Judiciário condene a União, o Estado e o Município não apenas a pagar indenizações, mas a realizar pedidos públicos de desculpas e erguer espaços de memória.
“A ciência antecipada do risco transforma a tragédia em responsabilidade estatal. Não foi um acidente; foi uma escolha administrativa”, pontuou o MPF.
Cinco anos depois, Manaus ainda respira com dificuldade ao lembrar daqueles dias, enquanto aguarda que a justiça no STJ e na esfera federal finalmente dê nome e punição aos responsáveis pelo período mais letal da história amazonense.




