O Império da Ignorância – por Marília Grandi Vitório

Marília Grandi Vitorio - foto: montagem

Os cães ladram. A caravana passa – Quão sólidos são os pilares do Império da Ignorância?

Uma ocorrência em minha vida pessoal, hoje, move as engrenagens da escrita, há muito adormecidas. E, em seu envelhecido ranger, inconformam-se.

Aristóteles afirmou, em vernáculo:

“O homem é, por natureza, um animal político. Tem primeiro na sua família; sua socialização e garantia da manutenção de vida em seus diversos aspectos financeiros e educativos, mas é na Pólis que se realiza plenamente, encontrando no fiel cumprimento das leis, a justiça, dado que só podemos ser felizes no exercício da justa medida, ou seja, sendo prudentes e encontrando o meio termo em nossas ações.”

Ora, se o homem – o ser – é um animal político, sob quais circunstâncias são viáveis as discussões do merecimento ao direito de crítica à aqueles que nos governam, sendo seus atos, leis, sanções e declarações, intimamente tricotados à nossa existência na Pólis?

Um terço do eleitorado brasileiro, possui entre 18 e 33 anos de idade. Mais de 45 milhões, em um esmagador todo de 144 milhões de votantes. Diante de tais dados, a consciência: Tornar-se politizado, é árduo processo, composto por desconstrução, estudo, análises comparativas das propostas que nos são apresentados – dentro de nosso modelo democrático – e, indispensável critério: A não-polarização.

A extrema-direita brasileira, em sua contemporaneidade, muniu-se de duas importantes armas: Manipulação de massas, através da infalível ferramenta proporcionada pelas redes sociais, e a polarização. Assim, diante de tal fórmula, estabeleceu-se preocupante cenário: O Império da Ignorância.

A discordância do governo em vigor, tornou-se vilania. Observar, debater e apontar falhas da direita, tornou-se, diante de semi-cerrados olhos, manobra da esquerda. E, para estes mesmos olhos, tal discordância e senso crítico lhe estirpa da condição humana e o catapulta para odioso patamar.

À aqueles que, por consequência e desventura, tiveram limitado acesso à informação e exercício crítico; e ao iliterata – desinformado ser, que, por escolha, pouco informa-se, o território das redes sociais, contínuo e sem estremadura, torna-se palavra final. Lei e ordem. O ser, não ser e parecer.

A velocidade da informação compartilhada, facilita a ploriferação de inverdades, algumas destas, cuidadosamente plantadas em prol de partido, causa ou doutrina. Não há checagem, conferência. Não há questionamento. Apenas o pleno crer e o abraçar do conteúdo fornecido por estas ferramentas como verdade absoluta. A carapaça fornecida pela distância e anonimato, por sua vez, encoraja o discurso de ódio.

Questiona-se o que pertence ao outro, exige-se, com cólera, o que se crê pertencer a si. Se esquece, entre polarizações e doutrinas, que a corrupção é apartidária – mora na índole do ser em poder.

Dentre bandeiras vermelhas, gestos de armas com as mãos, o messias salvador e o petista vagabundo, serve-se pão, abre-se o circo – Panem et circenses – e, calçado em botas de ferro em brasas, o habitante do Império da Ignorância, dança.

Cordialmente,

Marília Grandi Vitorio é bacharelanda em direito, escritora, professora e filhinha de papai que acorda meio-dia e nunca trabalhou na vida.

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