O populismo da inepcia – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Caros leitores e leitoras, escrevo em jornais há 20 anos, e nunca fui censurado, principalmente agora no Em Tempo com a Glaucia à frente da redação. O problema é que expresso minha opinião de modo transparente, e no caso atual os bolsonaristas, sempre questionam minha opinião, que é minha e não devo satisfação de querer adubar quem quer que seja.

O nosso Presidente, no último fim de semana, contrariando seu Ministro da Saúde, e a OMS, foi dar um passeio nas cidades satélites de Brasília, mostrando ou que já teve o coronavirus e está imune ou quer realmente tumultuar um governo que ele não tem condições de exercer. E faço uma pergunta, quem é homem e quem é moleque Senhor Presidente? Moleques, são a OMS, os grandes lideres mundiais, inclusive seu queridinho Trump?, o seu Ministro da Saúde? Todas as Vigilâncias Sanitárias do mundo? Homem é só o senhor. Ora, ora, pare de apedeutismo.

O cidadão comum, a autoridade de qualquer natureza, todos respondem de alguma forma pelo que dizem, daí a exigível discrição, a continência da linguagem, especialmente em torno do que se deve expressar quando está em causa o interesse comum, e chega a ser uma forma de sabedoria dizer apenas o necessário, no momento certo. Daqueles que por dever de ofício são quase obrigados a falar em público, muitos evitam o improviso, ou para não omitir fatos e nomes, ou para, medindo as palavras, não cometer excessos, enfim, para preservar a autoridade do cargo no qual estão investidos, imunizando-se a cobranças.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

O noticiário através da televisão obriga a ouvir, ou o que não se quer, ou o que não se deve, sobretudo quando choca, a ponto de, tão estarrecedora a notícia, preferir-se aguardar o jornal do dia seguinte para uma necessária conferência, para a possível confirmação do que foi dito por determinada autoridade. Está visto que esse destempero, partindo de quem está presidente, compromete e muito, porque, de qualquer ângulo que se queira enxergar, é o reconhecimento público de que existe um Presidente que compromete seu Ministério de Saúde e compromete a ele aos cidadãos que me permitam o termo otariamente, ficam ao seu redor como aconteceu no ultimo final de semana em Brasília. Inadmissível, no entanto, é o maior representante do Estado afirmar em rede nacional de informação, que tem que se parar com o isolamento, e não só falar, mas dar o exemplo de que se deve andar na rua sim, francamente, convenhamos que estamos muito perto mesmo da desesperança total.

Resta a concretização de um acalentado sonho com uma autêntica liderança, valente, altaneira, criativa, atuante, contida, austera, respeitável, enfim, compromissada sobretudo e especialmente com a saúde e os fundamentos da República: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana. Sonhar ainda não é tributável.

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