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O prélio do segundo turno – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Caros(a) leitores(a), não irei neste artigo ativar o protagonismo da disputa em segundo turno, tanto na Presidência da República, como para o governo do Estado do Amazonas. Irei sim tentar mostrar a ebulição política e a preparação para o dia 25 domingo. Acham-se providenciados os preparativos finais das eleições programadas para o corrente exercício. Cessou a propaganda política de candidatos e legendas que se interessaram pela disputa de votos destinados ao preenchimento da cadeira de Presidente da República e Governador.

A Justiça eleitoral distribuiu as últimas instruções de como deverão proceder os cidadãos convocados para a composição das mesas eleitorais das capitais e Interior. As medidas de precaução em áreas menos pacíficas do Estado, a julgar pelos relatórios oficiais, encontram-se tomadas. Os centros urbanos receberam como de praxe a marca da ebulição política em tempos de eleição, mediante o desfraldar de bandeiras e pregões multicoloridos que, entretanto, afeiam as cidades e não dizem bem dos nossos costumes de gente civilizada.


É certo que, já a partir de segunda-feira, após o prélio eleitoral, as edilidades terão que agir para devolver aos logradouros públicos a face limpa como convém a eles em toda parte. Vozerios, discursos e arruídos cessaram também, para gozo de idosos, crianças e enfermos acamados em tratamento. Eis terreno largo para cuja direção deverá um dia pender, preferencialmente, a legislação eleitoral, a fim de que abusos em cadeia e sucessivos não ameacem comprometer o jogo próprio das democracias que finaliza nas eleições.

Outro aspecto também digno de menção nesta hora em que o espírito coletivo se impregna de motivação no empenho de cooperar na construção do edifício democrático é o ato impróprio denominado “boca de urna”. É mais que a extrapolação do entusiasmo partidário, é mais do que o empenho justo de vencer na liça eleitoral. É efeito de uma herança que deveria ter sido coibida em seus começos, e não foi. Hoje, a atividade de “boca de urna” não apenas atenta contra a letra expressa da lei eleitoral, ela tem sido fonte de conflitos que não raro tendem a comprometer a própria segurança, a mesma vida das pessoas, em qualquer quadrante do país. Ato público tão complexo quanto a eleição numa democracia dificilmente será estreme de falhas, de exageros que não podem nem devem ser contidos à base da força bruta. Nisto de condutas multitudinárias, a palavra pedagoga e o intuito de persuasão, a repetência firme e sem exagero, o chamamento amistoso à razão fazem mais do que estrondos de violência desatinados.

Para além deste ponto, cuida-se de um Brasil cognominado de país-continente, dentro do qual se cruzam numerosos paralelos com meridianos, vale dizer, país dentro do qual convivem mais diferenciações que similitudes, tudo a depender se estamos mais para o Oriente que o Ocidente, mais para o Norte que o Sul. Se legislar para homens poucos e harmônicos é difícil, como exigir da legislação nacional brasileira as perfeições que não achamos nas outras? Por isto mesmo que cada eleição é novo aprendizado, cada prélio, uma lição que aprimora e aperfeiçoa. Da mesma forma que na disciplina a que alude o canto décimo de “Os Lusíadas”, o democrata não aprende na fantasia, somente sonhando, imaginando e estudando, mas vendo, tratando e pelejando. Este um dos papéis salutares destas eleições. De todas as eleições. Que escolhamos os melhores para o bem do Brasil e de nosso Estado, sem nos iludirmos no que houve no primeiro turno, o segundo turno é outra eleição e parece que o povo brasileiro no que concerne a Presidência da República verificou a besteira que fez no primeiro turno, e começou a se mobilizar.

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