O que o Brasil pode ganhar com o covid-19 – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

Conquistas científicas e tecnológicas surgem fundamentalmente do medo do amanhã, do imponderável, da necessidade de ajustar modos, maneiras e práticas comportamentais, de relações humanas, políticas e econômicas de tal sorte a torná-las mais adequadas às nações e seus povos.
Em tempos de quarentenas impostas pelo novo Coronavírus, isolamento social, álcool em gel, crises e mais crises, a humanidade está alcançando novos padrões predominantemente nas comunicações pessoais e à distância graças a outras conquistas extraordinárias, também derivadas de guerras e crises diversas, como energia elétrica, computadores, viagens aeroespaciais, internet, whatsapp, skype, telefones celulares, metrô e meios de transporte cada vez mais sofisticados..
Cabe ao ser humano, neste momento de relevantes transformações sociais, culturais, políticas e econômicas adequar-se à contemporaneidade e mudar; adotar novas práticas e padrões de convivência ante obsolescências soterradas pelas conquistas tecnológicas disruptivas, transformadoras em relação aos standards predecessoras.
Novos hábitos e paradigmas decorrentes dessas transformações farão surgir, nas escolas, a necessidade de crianças e jovens passarem a realizar, de casa, por meio de redes de computadores e de sistemas de comunicações remotos, on-line, grande número de suas atividades escolares. Escola duas a três vezes por semana.Igual nos parlamentos. O que levará a reduzir sessões presenciais e a priorizar reuniões por vídeo conferências, práticas que o Congresso Nacional passou a adotar face à necessidade de isolamento social imposto pelo covid-19.
Com efeito, governo e órgãos públicos, o Congresso Nacional, assembleias legislativas, câmaras municipais, tribunais e varas, um sem número de repartições públicas podem perfeitamente funcionar sem a obrigatoriedade presencial diária. Senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, juízes, secretários de Estado, presidentes de autarquias, órgãos e empresas públicas que hoje têm à disposição em seus gabinetes (e até, em alguns casos, nas residências) vinte, quinze, dez, meia dúzia de assessores podem sem muita dificuldade diminuir a necessidades desse pessoal de gabinete.
Em que termos? Reprogramando sessões, reuniões e assembleias presenciais, passando a realizá-las por videoconferências duas, três vezes por semana. Certamente, o número de assessores se contrairiam dramaticamente, gerando enorme contração nos gastos públicos em face da redução proporcional de despesas de transporte, alimentação, comunicações, gratificações funcionais, horas extras e limpeza de instalações. Economias em benefício da sociedade derivadas de conquistas tecnológicas, naturais indutores de aperfeiçoamento nas relações de trabalho e comportamentais, que, por seu turno, inelutavelmente desaguam em mudanças de paradigmas operacionais.
Provavelmente, o brasileiro poderá sair desta crise no azul. Não apenas em termos econômicos e financeiros resultante das novas práticas de convivência humana e profissional, mas também, e sobretudo, em consequência dos benefícios subjetivos proporcionados pelo incremento nos padrões das relações humanas. Efetivamente, desde o dia 11 de março, quando a OMS declarou a pandemia do novo coronavírus, grande parte da população mundial foi induzida a buscar meios materiais e intangíveis com vistas a poder melhor controlar as consequências imprevisíveis de uma nova pandemia.
Enquanto não for desenvolvida vacina específica, a sociedade, conectada, segue convivendo e trocando informações em tempo real, unindo-se, com efeito, para compartilhar experiências e dicas de sobrevivência. O que foi uma conjectura ficcionista, ora se materializa. Mesmo que por vias transversas, o novo coronavírus passa a contribuir de forma decisiva, e sem volta, para restaurar à humanidade a capacidade de empatia e solidariedade perdida nos tempos de individualismo.
Manaus, 13 de abril de 2020.

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