O turismo na Rússia – por Tatiana Poloskova

Tatiana Poloskova – Foto: Divulgação

Num mundo globalizado observamos rápido desenvolvimento dos mais diversos segmentos do turismo (negócios, lazer, religioso, médico, esportivo e outros). Mas, e na Rússia, quais são as principais tendências, barreiras e possibilidades? O brasileiro precisa de visto para visitar a Rússia?

Tradicionalmente, existem três segmentos do mercado de turismo na Rússia de média e grande escala: o turismo receptivo (até o início da pandemia os principais turistas que visitavam a Rússia eram os alemães e cidadãos da Europa Ocidental, EUA, China, Índia), o turismo doméstico (interno) e, claro, o  turismo emissor ou seja, com viagens de cidadãos russos à Turquia, Egito, Tailândia, Vietnã, e outros.

A partir da pandemia, a situação mudou radicalmente. Especialistas na área de negócios turísticos avaliam a situação não como crítica, mas sim como um impasse. Por outro lado, o turismo doméstico começou a se desenvolver ativamente, os russos decidiram viajar pela própria Rússia, visitando e conhecendo as mais diversas regiões desse gigantesco país, de 11 fusos horários e uma área de 17 milhões de km2, ou seja, duas vezes o tamanho do Brasil. Para se ter uma noção das distâncias, a viagem de avião entre Moscou e Vladivostok, no extremo oriente russo, leva quase 8 horas, um pouco menos que as 10 horas necessárias para voar entre Moscou e Nova York atravssando toda Europa e oceano Atlântico!

Mas a Rússia não é apenas Moscou e São Petersburgo. Há belíssimos resorts na região do Cáucaso, no extremo Oriente, na Sibéria, no extremo Norte (próximo a região glacial) e, obviamente, na região do Mar Negro. Posso compartilhar com os leitores sobre a minha experiência pessoal, no ano passado eu tive a oportunidade de ver, pessoalemnte o fenômeno natural da Aurora Boreal, quando visitei, pela primeira vez, o Círculo Polar Ártico, como turista. Uma experiência única!

Agora, o processo de abertura de países para o intercâmbio turístico está ganhando impulso. De muitas maneiras, isso é facilitado pela vacinação da população. Dentre os países latino-americanos, os russos podem visitar Cuba com seus resorts, a República Dominicana, Argentina, Uruguai, Chile e muito mais. O Brasil também está aberto a turistas russos e pertence à categoria de países sem visto. Então, o brasileiro não precisa de visto para vir ao meu país como turista. Mas existem limitações associadas à pandemia. O cidadão brasileiro que pretenda visitar a Rússia poderá obter mais informações sobre os requisitos relacionados à pandemia no consulado ou embaixada russa.

Eu mesma visitei várias vezes o Brasil, tanto como parte de delegações oficiais durante meu trabalho no sistema do Ministério das Relações exteriores, quanto como turista. E eu amo muito este país. O Brasil ainda não pertence à categoria de países com turismo de massa da Rússia. Mas existem boas perspectivas se abrindo. Primeiramentem é possível retomar os voos regulares da Rússia para o Brasil. Ainda não há voos diretos. A empresa aérea “Aeroflot” tinha voos regulares na década de 1990. É preciso intensificar o turismo de negócios, inclusive no formato de visitas a diversos fóruns importantes, festas e carnaval. O turismo VIP também é promissor! Imaginem como seria positivo se houvesse voos diretos entre Manaus e Moscou.

Além disso, o sistema de treinamento de pessoal de serviço para hotéis de negócios e resort ainda está em desenvolvimento na Rússia. E aqui temos muito a aprender com o Brasil, podemos pensar em novas parcerias e projetos em conjunto. Na Rússia os resorts são sazonais (maio-outubro), e no Brasil eles operam durante todo o ano. Outro ponto muito favorável diz respeito ao carinho do povo russo pelo Brasil. Assim, se forem criadas as condições necessárias, o fluxo turístico mútuo poderá crescer enormemente!

Tatiana Poloskova é Doutora em Ciências Políticas Conselheira de Estado da Federação Russa

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