Oferta de empregos está na contramão do faturamento do PIM

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Após cinco anos com desempenho abaixo do esperado, o Polo Industrial de Manaus (PIM) fechou o semestre com o faturamento positivo. Conforme dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crescimento das empresas foi de 10,68%, o que equivale a R$ 48.486.199.439 de janeiro a junho deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

No entanto, o cenário não representa uma novidade. “Nos últimos anos, o faturamento do PIM só cresceu. O problema é que a geração de empregos caiu consideravelmente e não há arrecadação por parte do governo. Já há mais de 17,5 mil desempregados”, pontuou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Manaus (Sindmetal), Valdemir Santana.

A folha de pagamento das indústrias atuantes em Manaus está mais barata atualmente. O baixo custo é atribuído, em grande parte, ao alto número de demissões. A Moto Honda da Amazônia, por exemplo, destinava 3,7% de seu orçamento para a folha de pagamento. Hoje em dia, esse número não ultrapassa a casa de 1,7%.

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mensura a diferença entre contratações e demissões, o saldo de admissões fechou em 1.683, sendo 509 do setor industrial. “Mas, sabemos que o índice de contratação não foi forte. O mês de setembro, por exemplo, sempre é uma época em que as empresas reforçam o quadro funcional. E o que está acontecendo é justamente o contrário”, observou Santana.

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Indústrias maquiadoras

Ainda de acordo com o dirigente, após a mudança na política do Processo Produtivo Básico (PPB), as empresas instaladas no PIM optaram apenas por importar peças. “Esse processo transformou as fábricas em indústrias maquiadoras. Porém, nós queremos produzir e ofertar um número cada vez maior de vagas para o mercado de trabalho”, afirmou. “As empresas de componentes não existem mais em Manaus. O desemprego no PIM acaba resultando também no desemprego no comércio, serviço e demais setores”, acrescentou.

Na avaliação de Santana, é necessário reavaliar a política industrial da capital amazonense. Uma das medidas para a melhoria na criação de vagas seria a redução da jornada de trabalho.

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