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Onça-pintada, conheça dez curiosidades do maior felino das Américas

Ágeis e com grande destreza, as onças sobem em árvores - Foto: Emiliano Ramalho
Escrito por Redação II

O calendário nacional acaba de ganhar uma nova data comemorativa: o Dia Nacional da Onça-pintada será celebrado pela primeira vez na próxima quinta-feira (29). O dia foi instituído por uma portaria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e presta homenagem a uma espécie que é símbolo da biodiversidade nacional.

Para entrar no clima da festa, confira a seguir dez fatos que talvez você não saiba sobre as onças-pintadas:

1) Gigante das Américas

Foto: Brandi Jô Petrônio

A onça é um animal típico do continente americano. A atual distribuição geográfica da espécie se estende do México pela maior parte da América Central e América do Sul, até o Paraguai e o norte da Argentina. Da grande família biológica dos felídeos, a onça é a terceira maior espécie do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. E nas Américas, a onça-pintada reina absoluta como o maior felino da região.

2) A onça-preta também é uma onça-pintada

Foto: André Dib

A afirmação pode parecer estranha, mas é isso mesmo: as onças-pretas também são onças-pintadas. É um caso de melanismo, que acontece quando um animal tem uma grande concentração do pigmento chamado melanina na pele, o que dá o tom escuro à pelagem. As onças-pretas são raras, representando cerca de 6% de toda população da espécie. Com a ajuda de câmeras noturnas, é possível enxergar as pintas de uma onça-preta.

3) Na Amazônia, onças-pintadas vivem no topo das árvores

Foto: Emiliano Ramalho

Se as onças-pintadas já são, naturalmente, animais únicos e impressionantes, a vida nas matas de várzea da Amazônia faz delas ainda mais diferentes. Por conta do sobe e desce do nível dos rios, as onças de lá apresentam um comportamento que, dentro da espécie, não é visto em nenhum outro lugar. Durante a época de cheia, quando os rios transbordam seus limites e enchem as florestas com água, os felinos buscam as partes mais altas das árvores para morar. Todo esse processo se repete anualmente e pode durar até seis meses. “Esse é um comportamento inédito para grandes felinos, que precisam de grandes quantidades de alimento todos os dias para sobreviver e que até agora eram considerados terrestres”, afirmou o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Mamirauá, com o objetivo de estudar a ecologia e promover a conservação da onça-pintada na várzea amazônica.

4) Reserva Mamirauá tem uma das maiores densidades de onças no planeta

Foto: João Cunha

A grande quantidade e oferta de presas, aliada ao estado de conservação da Reserva Mamirauá, permite que essa unidade de conservação localizada no centro do estado do Amazonas abrigue uma alta densidade de onças-pintadas. Levantamentos feitos pelo Instituto Mamirauá nos últimos anos estimaram uma concentração de mais de 10 onças/100 km² dentro da reserva, a mais alta densidade de onças registrada até hoje no mundo. Um dos métodos para estimar a população de onças é o uso de armadilhas fotográficas. Pesquisadores do Instituto Mamirauá já registraram uma onça na Reserva Mamirauá interagindo com os equipamentos. Veja:

5) Seres humanos não estão na dieta das onças

Não tenha medo! Apesar da (má) fama, as onças-pintadas evitam contato com o ser humano. São raros os registros de ataque de onças à nossa espécie, isso pode acontecer quando a onça se sente ameaçada ou quando tenta proteger os filhotes ou o próprio alimento (como uma caça recém-abatida).

6) Preguiças e macacos guariba estão entre alimentos preferidos na floresta amazônica

Foto: Anamélia de Souza Jesus

Falando em dieta, a onça-pintada encontra um cardápio farto e variado na Amazônia. Na Reserva Mamirauá, estado do Amazonas, o bicho-preguiça, o macaco guariba e o tamanduá-mirim estão entre os animais mais consumidos pelos felinos. O jacaré-tinga e o jacaré-açu também entram na lista de espécies predadas por onças-pintadas na região. Os dados são do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá.

7) As pintas de uma onça são únicas

O conjunto de pintas ou manchas em uma onça-pintada é único. É como a impressão digital nos dedos dos seres humanos: quando o assunto são as pintas, não existem duas onças iguais. Inclusive pesquisadores que investigam a espécie usam essa característica especial para identificar os animais.

8) Onças têm “pintinhas” dentro de cada pinta

Foto: Brandi Jô Petrônio

Pintas dentro de uma pinta. Assim são as pintas no tronco das onças-pintadas, e essa é uma diferença desse felino para o leopardo, que não tem tal característica. Uma maneira de diferenciar um leopardo de uma onça-pintada é olhando para as manchas nos troncos desses animais: só as onças têm pintas com pintinhas menores dentro.

9) Na água e nas alturas

Ágeis e com grande destreza, as onças sobem em árvores tanto para descansar como para abrigar-se ou caçar. Elas também são excelentes nadadoras.

10) Solitárias, mas nem tanto

Onças-pintadas costumam viver sozinhas. Embora sejam animais solitários a maior parte do tempo, as onças podem ser vistas em grupos no período de reprodução ou no início da vida, quando os filhotes são cuidados pela mãe.

Fontes:

Livro “Jaguar” (Evaristo Eduardo de Miranda & Liana John, Metalivros, 2010).

Reportagem “Onça-pintada – A rainha da floresta” (Ciência Hoje das Crianças, nº 251, nov 2013).

Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), desenvolve estudos para entender a ecologia da onça-pintada nas florestas de várzea da Amazônia para subsidiar ações efetivas de conservação da espécie e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com este grande felino. Saiba mais: https://www.mamiraua.org.br/felinos

Texto: João Cunha

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