Economia

Por que o Brasil ainda não conseguiu entrar no clube dos ricos

Expectativa era que solicitação brasileira fosse analisada em reunião na semana passada, o que não ocorreu (Foto: EPA/BBC News)
Escrito por Redação II

O Brasil solicitou adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) há um ano e, na época, a expectativa era de que o pedido de candidatura fosse aprovado rapidamente. O país é “parceiro-chave” da organização, conhecida como “clube dos ricos”, desde 2007.

Mas desde então, os trâmites empacaram por falta de acordo entre os países membros. Um dos principais empecilhos seria a posição do governo americano, que reluta em permitir a entrada simultânea de vários novos postulantes e quer que a Argentina tenha preferência.

Uma nova oportunidade de avanço na questão foi perdida na semana passada: a reunião ministerial anual, o evento mais importante da OCDE, que não tomou decisão sobre o assunto.

Expectativa era que a solicitação brasileira fosse analisada em reunião na semana passada, o que não ocorreu (Foto: EPA/BBC News)

Atualmente, além do Brasil, cinco países aguardam uma decisão sobre pedidos de adesão à OCDE: Argentina, Peru, Croácia, Bulgária e Romênia. O Brasil foi o último a solicitar o ingresso.

Os Estados Unidos não concordariam com a entrada de seis novos membros ao mesmo tempo, alegando que a análise de vários pedidos simultâneos atrapalharia o funcionamento da organização.

O presidente americano, Donald Trump, manifestou apoio à candidatura da Argentina, que solicitou o ingresso um ano antes do Brasil, e defenderia que a nova rodada de ampliação da organização começasse por esse país.

“Há diferentes visões de como se deve proceder. Há uma visão dos Estados Unidos, de que seis (países) ao mesmo tempo é muito. Outros países acham que os seis pedidos deveriam começar juntos”, disse à BBC Brasil Carlos Márcio Cozendey, embaixador brasileiro na OCDE. “Muitos países têm nos apoiado , mas ainda não há uma decisão (sobre o Brasil).”

Uma decisão americana sobre o apoio à adesão do Brasil poderia vir só após a eleição presidencial brasileira. A missão dos Estados Unidos na OCDE não respondeu às perguntas da BBC Brasil até o fechamento desta reportagem.

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia (à direita), assinou a adesão do país à OCDE, na última semana (Foto: EPA/BBC News)

Novos membros

A OCDE é conhecida como o “clube dos ricos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, ressaltou esse aspecto em seu discurso de abertura da reunião ministerial ao afirmar que a organização reúne “as nações mais avançadas do mundo”.

Mas, nos últimos anos, países como Letônia, um dos mais pobres da Europa, Turquia e, mais recentemente, Colômbia se tornaram membros da OCDE.

Já são 37 os países membros. A Costa Rica, cuja candidatura foi aprovada em 2015, está em processo de adesão e provavelmente será o 38° membro.

Os defensores da iniciativa brasileira argumentam que a adesão à OCDE pode favorecer investimentos internacionais e as exportações, aumentar a confiança dos investidores e das empresas e ainda melhorar a imagem do país no exterior, favorecendo o diálogo com economias desenvolvidas.

No caso de países emergentes, a entrada na OCDE pode possibilitar também a captação de recursos no exterior a taxas de juros menores.

Encontro de lideranças do grupo na Austrália, em 2014 (Foto: BBC News)

Enquanto aguarda uma decisão sobre sua candidatura à OCDE, o Brasil “continua o trabalho de aproximação com a organização”, diz o embaixador Cozendey.

Dos 238 instrumentos normativos da OCDE ao qual um país deve aderir para se tornar membro, o Brasil assinou 39 e pediu para aderir a outros cerca de 70. “São resoluções que podemos aderir imediatamente porque já cumprimos”, diz Cozendey.

Diferentemente dos anos anteriores, nenhum ministro brasileiro participou da reunião anual da OCDE. Participaram apenas o subsecretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Ronaldo Costa Filho, e do subchefe de Políticas Governamentais da Casa Civil, Marcelo Guaranys.

O Brasil não teria enviado ministros justamente para evitar a presença de autoridades em caso de decisão desfavorável ao país na reunião ministerial, segundo fontes ouvidas pela BBC Brasil.

Fonte: Terra

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