
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno e ao avanço de um processo de impeachment.
Peña era acusado de conflito de interesses por ter sido acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado. A oposição também apontava supostas irregularidades e acusava o Banco Central de encobrir problemas na instituição.
Em vídeo, o presidente pediu desculpas aos clientes que ficaram sem acesso ao dinheiro e afirmou que decidiu renunciar para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña, al pueblo paraguayo. https://t.co/RBz6IfFV9L
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 5, 2026
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, declarou.
A renúncia ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados iniciou uma sessão extraordinária para analisar o pedido de impeachment. Todas as bancadas haviam anunciado apoio à abertura do processo, que ganhou força após aliados do governo, incluindo Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, retirarem apoio a Peña.
Economista conservador, Peña assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana assume o cargo, embora também seja alvo de questionamentos políticos.
Peña mantinha relações próximas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o grupo Escudo das Américas. Também tinha boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Crise bancária
A crise começou após o Banco Central determinar a liquidação do Ueno, na terça-feira (3), por insuficiência de recursos para cobrir suas obrigações. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos da Previdência Social.
Segundo a autoridade monetária, o problema estava relacionado a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao banco, que pertence ao Grupo Vázquez.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. O pedido de impeachment foi apresentado por 35 deputados.

Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão. A Procuradoria também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados.
Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades serão levados à Justiça e promulgou uma lei para acelerar a devolução dos recursos aos clientes do Ueno.
A crise também provocou preocupação com o sistema financeiro. Relatos de falhas nos aplicativos de outros bancos circularam na quarta-feira (4), enquanto clientes transferiam suas contas.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições trabalhavam para atender à demanda e garantiu que o sistema bancário continuava operando normalmente.
Fonte: g1




