Presidente dos Metalúrgicos diz que robôs não comem e nem pagam impostos

A Indústria 4.0, da forma como está sendo anunciada é um risco para os empregos do PIM, diz presidente dos Metalúrgicos no Amazonas – foto: recorte/arquivo

Nem todos tem a mesma opinião a respeito do ‘balde de água fria’ jogado pelo Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos Alexandre Jorge da Costa, do Ministério da Economia, em cima do programa Indústria 4.0, que descentralizaria o controle dos processos produtivos nas esteiras das indústrias eletroeletrônicas no Polo Industrial de Manaus (PIM), através de inovações tecnológicas.

Contrapondo ao que foi dito pelos empresários do setor eletroeletrônicos em Manaus, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana enumera que qualquer tecnologia é favorável para as indústrias e para o processo produtivo, mas, consequentemente, melhorias tecnológicas no setor, provocaria a queda no número de empregos já em baixa no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Santana afirma que é a favor da evolução tecnológica, mas desde que as fábricas paguem mais impostos e gere mais empregos. Uma linha de produção, que é automatizada perde em torno de 120 trabalhadores e isso é um prejuízo, inclusive para o Estado, que arrecada menos, além de que, as tecnologias, na sua concepção, não melhoraram a qualidade de trabalho e nem os valores dos produtos fabricados.

Robôs não pagam impostos

“Quando a indústria substitui empregados por robôs, elas não pagam salários aos robôs e nem impostos sobre os robôs em serviço”.

Em termos comparativos, quando se compra um carro paga-se impostos, quando se compra uma casa, paga-se mais impostos ainda. “Um robô compra carros, casa, consome alimentos e produtos manufaturados e industrializados?”, pergunta. “Não”, responde ele.

É nesse sentido que o presidente dos Metalúrgicos vem discutindo o projeto Indústria 4.0. Conforme disse, quer que aconteça, mas desde que garantam a manutenção dos postos de trabalho e a melhoria dos salários dos trabalhadores especializados.

De acordo com Santana, o que ele vem discutindo à pelo menos meia década, é a redução da carga horária de trabalho de 44 horas, para 30 horas semanais. “Só com essa pequena intervenção, as empresas iriam gerar mais de 30 mil empregos”.

“Não somos contra a tecnologia, desde que ela não exclua as pessoas do mercado de trabalho. As indústrias no Amazonas desempregam e se esbaldam em lucro, sem beneficiar o Estado de alguma forma”, acrescenta.

Faturamento x salários

Valdemir Santana, insiste em dizer que a saída da crise e do desemprego no Amazonas é a redução da jornada de trabalho, que segundo ele, não afetaria no faturamento das empresas.

Sobre isso, levantou dados de algumas empresas como a Samsung da Amazônia, que hoje tem um faturamento relativo a mais da metade do PIB do Estado e não gera 5 mil empregos.

A Samsung foi a quer mais faturou em 2019 e, no entanto, não beneficiou em nada o Estado (ver quadro). Os gastos da Samsung com a mão-de-obra não chega a 1% do seu faturamento anual.

A outra, a Recofarma, tem 220 funcionários e, são essas indústrias que mais insistem no projeto Indústrias 4.0.

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