Produtores rurais de Rio Preto da Eva recebem 30 mil mudas de açaizeiros

Foto: Tácio Melo/Secom

De acordo com o Idam, cerca de 300 famílias trabalham com o cultivo de açaí no município; produção do estado em 2019 foi de 74,5 mil toneladas

Os produtores rurais da comunidade Rio Jordão, em Rio Preto da Eva, receberam 30 mil mudas de açaizeiros para plantio desde novembro do ano passado. Após o beneficiamento da fruta, que deve ocorrer a partir de 2023, o açaí poderá ser exportado para a Europa e para os Estados Unidos por meio de agroindústria do município.

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Em novembro, a Associação Agrícola Comunitária Rio Jordão (Acarj), que tem assistência técnica do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), recebeu as primeiras 15 mil mudas de BRS Ver-o-Peso, uma variedade de açaí desenvolvida pela Embrapa. Na última segunda-feira (20/01), a associação recebeu outras 15 mil mudas de BRS Pai d’égua, outra variedade da fruta.

O Idam selecionou a comunidade Rio Jordão, localizada no Km 77 da rodovia AM-010, considerando as potencialidades produtivas do local. Técnicos do órgão fizeram a seleção das áreas que receberam as mudas e acompanharam o plantio das sementes, além de iniciar o controle de pragas e doenças que podem atingir os açaizeiros. A expectativa do Instituto é que em três anos e meio os frutos comecem a ser beneficiados na agroindústria Manaós Fruity, empresa parceira que doou os açaizeiros, além de insumos como sombrite (a cobertura da área de plantio) e sacos para armazenar as mudas.

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De acordo com o gerente do Idam em Rio Preto da Eva, José Maria Frade Júnior, o cultivo de açaí é uma atividade em expansão no município. “O cenário é de crescimento. Esperamos que nos próximos cinco anos nós tenhamos mais de mil hectares de açaí plantados para que a gente possa aproveitar esse nicho de mercado”, analisou Frade. Atualmente, 300 famílias trabalham com açaí em Rio Preto da Eva. Levantamento do órgão aponta que cerca de 15 comunidades do município estão envolvidas no plantio, que ocupa 150 hectares de terra.

Na comunidade Rio Jordão, 30 agricultores estão trabalhando nos primeiros cuidados com as mudas. A expectativa é envolver os mais de 300 produtores rurais quando começar a colheita do açaí. “Trabalhamos com agricultura familiar, com horticultura, frango de corte e piscicultura, mas tudo ainda em pequena escala. Começamos a desenvolver o projeto em julho do ano passado porque nós queremos trabalhar com uma grande escala”, disse a presidente da Acarj, Andreia Freitas.

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Com certificação para exportar a polpa do açaí e de outras frutas como acerola, goiaba e abacaxi para a Europa e Estados Unidos, a Manaós Fruity deve comprar a produção assim que os açaizeiros derem frutos, a partir de 2023.

“O açaí que é produzido na empresa tem certificação, pode ser exportado. Já houve a primeira exportação em 2019 para a Espanha e, em 2020, a perspectiva é que se chegue aos Estados Unidos e a países da União Europeia”, explicou o especialista em assistência técnica rural do Idam.

Em 2019, a agroindústria processou 750 mil quilos de açaí. Foram 17 mil sacas, vindas de 26 municípios do Amazonas, principalmente Codajás e Coari. Em 2020, a expectativa da empresa é de beneficiar 1 milhão de quilos. Anualmente, entre fevereiro e junho, período da safra do açaí no Amazonas, mais de 6 mil pessoas trabalham direta e indiretamente com os processos que transformam a fruta em polpa na Manaós Fruity.

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“Nós temos a certificação orgânica para exportar. Para os outros estados, já mandamos polpas para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e para o Pará, que é um dos nossos grandes clientes e consumidores”, enfatizou o diretor da Manaós Fruity, Renato Freitas.

O Amazonas é o segundo maior produtor de açaí do Brasil, atrás apenas do Pará. Dados do Idam apontam que a produção de açaí no estado em 2019 foi de 74,5 mil toneladas, sendo 25,8 mil toneladas de açaí nativo e 48,7 mil toneladas de açaí cultivado.

Atualmente, os principais municípios amazonenses produtores de açaí nativo são Manacapuru, Benjamin Constant e Codajás; enquanto o cultivo da espécie é mais encontrado em Codajás, Coari e Presidente Figueiredo. Em todo o estado, cerca de 13 mil agricultores familiares e produtores rurais estão envolvidos na atividade.

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