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Quebra de sigilo expõe empresas que teriam pago mesada a Pezão

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Redação I
Escrito por Redação I

O ministro Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), suspendeu neste sábado (1º) o sigilo do pedido de prisão de Luiz Fernando Pezão (MDB) e, com isso, revelou que o dinheiro da suposta mesada recebida pelo governador do Rio de 2007 a 2014 vinha de empreiteiras e prestadoras de serviços ao governo, como Carioca Engenharia, Andrade Gutierrez, Delta, Comercial Milano e Masan.

Segundo o documento de 151 páginas elaborado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), sobre os contratos com essas empresas eram cobrados 5% de propina para a suposta organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) – dos quais, R$ 150 mil eram destinados mensalmente a Pezão, que então ocupava os cargos de secretário de Obras e vice-governador do estado.

À Polícia Federal, Pezão negou ter recebido propina.

O valor era repassado a Pezão, a pedido de Cabral, por Carlos Miranda, em cuja delação premiada, homologada no ano passado, se baseiam as investigações do Ministério Público Federal – as quais, por sua vez, motivaram o pedido de prisão por parte da procuradora-geral Raquel Dodge.

O documento traz ainda os 25 bilhetes que demonstrariam o pagamento de propina a Pezão – que neles apareceria apelidado de “Pé”, “Pzão”, “Big Foot” e “Pezonne”. No total, o governador teria recebido R$ 2.215.270,00 no período.

Além disso, o pedido contém a transcrição de um diálogo de Pezão com um homem de nome Ricardo, que o teria procurado para reclamar de uma suposta abordagem truculenta a Cabral na prisão e pedir que o governo intercedesse a seu favor. Pezão teria dito que iria “entrar no circuito” para resolver o problema – episódio que é tratado pelo MPF como prova da ligação atual de Pezão com a referida organização criminosa.

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Foi por causa dessa possível ligação que Dodge solicitou ao STJ a prisão, justificando que, solto, “Pezão poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa”.

Em entrevista à imprensa, Dodge disse que a prisão de Pezão foi necessária porque a investigação apontou que o esquema de lavagem de dinheiro estava em curso.

Pezão foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira (29) em um desdobramento da Lava Jato batizado de Operação Boca de Lobo. Ele estava dormindo no Palácio Laranjeiras, residência oficial dos governadores do Rio, quando os policiais chegaram, por volta das 6h.

O governador está detido na unidade prisional da Polícia Militar, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Ele ocupa a sala de Estado maior, já que foi preso durante o exercício do cargo — deve ser transferido de local em 1º de janeiro, quando termina seu mandato.

O chefe do Executivo fluminense foi alvo de um dos nove mandados de prisão preventiva. A PF também cumpriu outros 30 de busca e apreensão no Rio e em Minas Gerais.

Pezão é o quarto governador do Rio de Janeiro preso e o primeiro em cumprimento do mandato –Cabral e o casal Anthony e Rosinha Garotinho são os outros três.

Fonte: UOL

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