
Do Médio Amazonas ao Alto Solimões, o “arco de aliança” do senador Omar Aziz (PSD) é formado por prefeitos, ex-prefeitos e vereadores investigados por fraudes em licitações, desvio de verbas da saúde e irregularidades em obras, transformando a pré-campanha ao governo do Estado em um palanque para políticos que hoje estão na mira do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
A articulação, batizada internamente como o projeto “Amazonas Forte de Novo”, busca consolidar uma frente política para 2026, mas acaba por evidenciar uma coalizão de gestores cujas administrações são marcadas por auditorias pesadas e denúncias de má aplicação do dinheiro público.
Xeque da Justiça Eleitoral
A estratégia de exposição é agressiva: nas últimas semanas, essa rede de aliados inundou as redes sociais com vídeos e fotos ao lado do senador, entoando mensagens antecipadas de apoio e fidelidade ao projeto governista.
No entanto, por trás dos sorrisos e dos apertos de mão registrados para o Instagram, esconde-se uma realidade de mandatos sob judice e gestões contestadas.
Em municípios como Manaquiri e Eirunepé, a “força” do grupo de Omar Aziz é posta em xeque pela Justiça Eleitoral, que identificou fraudes sistemáticas na cota de gênero – o uso de candidaturas femininas fictícias apenas para viabilizar a eleição dos aliados do senador.
Abaixo, detalhamos os principais nomes da base de Aziz e as graves pendências que fundamentam os processos contra eles:
Prefeitos e ex-prefeitos: Gestão sob Suspeita
Mário Abrahim (Republicanos), Itacoatiara: O prefeito, que postou vídeos exaltando a parceria com Aziz, acumulou multas no TCE-AM em fevereiro de 2026 por nepotismo e falhas graves no Portal da Transparência. É investigado pelo MPAM por contratos de pavimentação sob suspeita e falta de medicamentos básicos.
Adail Pinheiro (Republicanos), Coari: Peça central no tabuleiro de Omar, Adail carrega um histórico de condenações por crimes de responsabilidade e desvio de royalties de petróleo. Sua presença no grupo reforça a narrativa de um palanque que prioriza o poder político sobre a ficha limpa.
Ivon Rates (PSD), Envira: Teve o mandato cassado pelo TRE-AM por irregularidades insanáveis em convênios federais e uso de notas fiscais inidôneas em obras de saneamento. Embora tente reverter a situação, sua gestão permanece marcada pelo estigma da improbidade.
Áurea Marques (MDB), Eirunepé: Protagonista de vídeos de apoio ao senador, a prefeita é monitorada pelo MPAM por subutilização de espaços públicos e deficiências críticas na saúde, além de suspeitas de favorecimento em licitações.
Ribamar Beleza (PP), Santa Isabel do Rio Negro: Investigado por desvios do Fundeb e por utilizar recursos públicos para custear sua defesa jurídica particular em ações pessoais.
Beto D’Ângelo (Republicanos), Manacapuru: Alvo de fiscalizações por gastos excessivos em eventos enquanto o portal da transparência permanecia inacessível ao cidadão.
Vereadores sob judice: A fraude das “Laranjas”
Manaquiri: Em uma decisão histórica em 2026, o TRE-AM confirmou a cassação de seis dos onze vereadores do município por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024.
Parlamentares do PSD e PL, como Bruno da Nonata e Valdemar Bandeira, perderam os cargos após a Justiça comprovar que candidaturas femininas foram usadas apenas como fachada para eleger a base aliada.
Eirunepé: A corte eleitoral também reconheceu fraude sistemática na chapa de vereadores que apoia o grupo governista local, resultando na anulação de votos e na cassação de diplomas de parlamentares que hoje integram o movimento de Omar.
Caapiranga e Benjamin Constant: O tribunal também cassou chapas inteiras de partidos aliados pelo mesmo motivo, evidenciando que a base do “Amazonas Mais Forte” foi construída, em muitos casos, através do desrespeito às leis que protegem a participação feminina na política.
O projeto “Amazonas Forte de Novo” nasce, assim, sob o peso de mandatos frágeis e gestões contestadas. A euforia dos vídeos nas redes sociais contrasta com a severidade das decisões judiciais que podem desidratar o grupo antes mesmo do início oficial da campanha.
Para o cidadão, o cenário reforça a importância de fiscalizar não apenas às promessas, mas a conduta de quem as faz.




