
Inspirado em mobilizações nacionais como o Exército do Lula, movimento organizado por André Janones, grupo amazonense Banzeiro Vermelho reuniu sindicalistas, universitários e movimentos sociais e devolveu créditos à militância de base
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Amazonas, no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, também colocou em evidência a força de uma militância organizada no Amazonas. Sindicalistas, estudantes universitários, movimentos sociais, indígenas, rurais deram ao Banzeiro Vermelho um espaço de articulação política e mobilização popular como nunca visto no Estado.
O resultado confirmou a vitória de Lula no estado, com 54,02% dos votos válidos, contra 45,98% do seu oponente. A diferença de 170.538 votos consolidou uma vantagem expressiva para o presidente Lula, que ampliou seu desempenho em relação ao primeiro turno sob a coordenação geral do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da CUT-AM, o sindicalista Valdemir Santana.

Militância progressita articulada
A criação do Banzeiro Vermelho surgiu diante de uma insatisfação acumulada entre membros da militância progressista no Amazonas.
Depois de campanhas anteriores marcadas pelo distanciamento entre os diretórios partidárias e os movimentos sociais, parte dos apoiadores sentia que havia perdido espaço nas decisões e na construção das estratégias eleitorais no Estado.
A articulação coordenada por Valdemir Santana ajudou a reunir forças que já atuavam no movimento sindical, no meio universitário e em organizações sociais, mas que nem sempre caminhavam de maneira integrada.
Mais do que defender uma candidatura, o Banzeiro Vermelho devolveu a oportunidade da militância voltar a participar ativamente de uma disputa eleitoral, mobilizando apoiadores, dialogando com diferentes segmentos sociais e reforçando a presença da campanha de Lula no Estado.

Conexão Exército do Lula
A experiência amazonense guarda semelhanças com a mobilização nacional liderada pelo deputado federal André Janones, responsável pelo Exército do Lula. Com forte atuação nas redes sociais, o parlamentar organizou apoiadores em torno de uma estratégia de engajamento digital, circulação de mensagens e convocação da militância durante a campanha presidencial.
Embora operassem em escalas e com ferramentas diferentes, os dois movimentos compartilharam um princípio: a mobilização não deveria ficar restrita às estruturas tradicionais dos partidos ou aos comandos oficiais das campanhas. A participação direta dos apoiadores poderia ampliar o alcance da mensagem política e manter a militância ativa em um momento decisivo da disputa.
Articulação Sindical
Enquanto o Exército do Lula ganhou projeção nacional com a comunicação digital, o Banzeiro Vermelho buscou fortalecer a articulação de sindicalistas, estudantes e movimentos sociais no Amazonas. São experiências distintas, mas que ajudam a demonstrar como iniciativas de mobilização podem aproximar a campanha de setores dispostos a atuar para além do voto individual.
Uma vitória que também fortaleceu a militância
No Amazonas, o resultado teve um significado que ultrapassou a contagem das urnas. Para os participantes do Banzeiro Vermelho, a vitória de Lula reforçou a percepção de que a organização popular pode ter relevância em disputas eleitorais acirradas e de que a militância de base precisa ser reconhecida como parte ativa da construção política.
Valdemir Santana afirma que o Banzeiro Vermelho procurou transformar a disposição de seus participantes em ação coletiva.
A contribuição do movimento, contudo, deve ser analisada em conjunto com outros fatores que influenciaram o resultado, incluindo as alianças políticas, a atuação das lideranças locais, a comunicação eleitoral e o comportamento do eleitorado.
Abrindo espaço
Ainda não é possivel medir o tamanhos dos votos conquistados pelo Banzeiro Vermelho e pela atuação do grupo. Ainda assim, sua experiência abre espaço para uma discussão importante sobre o papel dos movimentos sociais e sindicais na construção de campanhas eleitorais no Amazonas e se as forças atuantes durante a eleição terão espaço permanente nas decisões e na formulação das políticas públicas.
Ou voltarão a ser lembradas apenas nos períodos de campanha eleitorais para carregar bandeiras?




