Saúde do Amazonas vira um ‘Vinho Amargo’ demais

Adega de vinhos conhecida em Manaus, vendeu ventiladores pulmonares superfaturados - foto: recorte/ilustrativa superfaturados

“Na Operação Maus Caminhos da Polícia Federal, deixaram de cortar a cabeça da serpente”

Se voltássemos ao mês de setembro de 2017, teríamos um quadro semelhante ao que estamos presenciando hoje 30 de junho de 2020.

Na data citada acima, a Polícia Federal desencadeou a 1ª Fase da Operação Maus Caminhos, na Saúde do Amazonas, resultando no cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva, 4 mandados de prisão temporária, 3 conduções coercitivas, 41 mandados de busca e apreensão, 24 mandados de bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas, 31 mandados de sequestro de bens móveis e imóveis, nos estados do Amazonas, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.

Repetição da organização criminosa

Quatro anos depois, uma loja de vinhos, que vendeu 28 ventiladores pulmonares para tratar de infectados pelo novo coronavírus, por R$ 2,9 milhões, um empresário e um marqueteiro do senador Omar Aziz (PSD), voltam a protagonizar a ‘Operação Sangria’ desencadeada pela Polícia Federal na Saúde do Estado, para investigar possíveis práticas de crimes, de organização criminosa, corrupção, fraude a licitação e desvio de recursos públicos federais.

Nessa Operação a Polícia Federal cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e efetuou 08 prisões temporárias entre elas, a secretária de saúde do Amazonas. A PF teve a cooperação do Ministério Público Federal (MPF), da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB), através dos mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ),

Ou seja, a tal Loja de Vinhos, e seus personagens não aprenderam a lição de 2016 e voltaram gulosos aos cofres da Saúde Pública Estadual, com lotes superfaturados de respiradores, destinados ao tratamento de contaminados pelo Covid-19 e, mais uma vez, levam de secretário a empresários (por enquanto), para a cadeia, mas permanecem incólumes.

A prova do superfaturamento

Empresa da Família

Espera-se agora, que a Polícia Federal localize os responsáveis pela ‘sangria’ nos cofres públicos. A quadrilha que domina todas as áreas da saúde no Amazonas, como se fosse uma empresa da família e, que através de chantagem ameaçam quem ousa desfazer a organização criminosa que se instalou no Amazonas antes do governo José Melo.

Na Maus Caminhos esqueceram de cortar a ‘cabeça da serpente’ – foto: arquivo/divulgação

Lembrando a Maus Caminhos

A operação Maus Caminhos iniciou em 2015, com o Ministério Público Federal (MPF), requisitando instauração de inquérito policial para apurar suspeitas de desvios de recursos da saúde por organização criminosa.

Ainda em 2015 o MPF processou o ex-secretário de Estado da Saúde Wilson Duarte Alecrim e a direção do Hospital Santa Júlia Ltda. por irregularidades em contratos na saúde pública estadual para prestação de serviço de cirurgias cardíacas em crianças e pede à Controladoria-Geral da União (CGU) apurações mais amplas sobre a aplicação de recursos federais pela Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam).

As fases da operação foram denominadas como Maus Caminhos, Operação Custo Político, Operação Estado de Emergência, Operação Cashback e agora Operação Vertex. A reportagem preparou uma linha do tempo com os principais momentos da operação que começou em 2016.

As atividades da PF renderam, as prisões de um ex-governador, esposas de ex-governadores, ex-secretários e empresários irmãos e do senador Omar Aziz (PSD), foi uma ‘limpa’ na Saúde do Estado, na época, mas, infelizmente, não esmagaram a cabeça da serpente.

Com informações do site do MPF

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