TCEAM
Início Colunas Senado no Amazonas: o segundo voto pode virar o jogo pela segunda...

Senado no Amazonas: o segundo voto pode virar o jogo pela segunda vaga – por Altemir Viana

Altemir Viana é Sociólogo e Consultor Político - Foto: Divulgação

A cinco dias da eleição, a disputa pela segunda cadeira de senador segue em cenário apertado. Com dois votos para o Senado, a estratégia de conquistar o eleitor como segunda opção pode ser decisiva na reta final.

A eleição que pode ser decidida pelo segundo voto


Uma das duas vagas do Amazonas no Senado ainda está longe de uma definição. Eduardo Braga aparece na liderança nos levantamentos citados, enquanto Capitão Alberto Neto, Wilson Lima e Plínio Valério disputam uma segunda cadeira em um cenário marcado por pequenas diferenças e por um eleitorado que ainda não definiu completamente seus dois votos.

E há uma variável que pode mudar a fotografia da eleição: o segundo voto.

Em uma disputa na qual cada eleitor escolherá dois candidatos ao Senado, não basta apenas conquistar votos como primeira opção. Também pode fazer diferença ser o nome escolhido por eleitores que já tenham outro candidato como preferência principal.

É nesse espaço que a reta final da eleição pode ganhar uma nova dinâmica.

Um dado importante aparece na pesquisa espontânea realizada pela ACTION nesta terça-feira: 65% dos entrevistados não citaram nenhum candidato quando os nomes não foram apresentados. Em pesquisa Datafolha publicada em junho de 2026, 66% dos entrevistados disseram não se lembrar em quem votaram para o Senado em 2022.

Os números indicam a existência de um contingente expressivo de eleitores que ainda pode definir sua escolha nesta reta final.

Como a eleição para o Senado é majoritária e, em 2026, o eleitor escolherá dois candidatos, a definição dos votos pode ocorrer de maneira diferente da disputa para os cargos do Executivo. Presidência da República e Governo do Estado tendem a concentrar a atenção do eleitor durante boa parte da campanha, enquanto a escolha dos dois candidatos ao Senado pode ficar para os últimos dias.

É justamente nesse momento que o segundo voto ganha importância.

Eduardo Braga larga na frente

Na pesquisa divulgada nesta terça-feira pela ACTION, considerando a combinação do primeiro e do segundo voto, Eduardo Braga aparece com 27%, seguido por Capitão Alberto Neto, com 17%; Plínio Valério, com 14%; e Wilson Lima, com 13%.

Eduardo Braga chega à reta final com uma estrutura política construída ao longo da campanha, reunindo presença nos municípios, articulação com lideranças do interior e alianças políticas.

O apoio do prefeito de Manaus também entrou na equação da disputa e ampliou a estrutura política em torno de sua candidatura.

Nos levantamentos citados, essa combinação aparece associada à liderança de Braga, que mantém distância dos demais concorrentes.

A segunda vaga é outra eleição

A disputa pela segunda cadeira tem dinâmica própria.

Como a eleição para o Senado é majoritária e cada eleitor terá dois votos, um candidato pode consolidar sua posição não apenas como primeira escolha, mas também como segunda opção de diferentes grupos eleitorais.

É nesse ponto que a campanha de Plínio Valério passa a chamar atenção.

Dois levantamentos citados apresentam o senador como uma das principais escolhas quando o eleitor é estimulado a indicar um segundo candidato.

Na pesquisa do Instituto Veritá, divulgada em 10 de setembro, Plínio Valério aparece com 30,5% dos votos válidos na simulação de segunda opção, à frente de Capitão Alberto Neto, com 22,8%. Wilson Lima registra 16,5%, enquanto Eduardo Braga aparece com 13,9%.

No levantamento da PoderData, divulgado em 25 de setembro, Plínio novamente aparece como o nome mais citado como segunda opção, com 28%. Capitão Alberto Neto registra 16% e Wilson Lima, 14%.

Esses números não definem o resultado da eleição, mas introduzem uma variável importante na leitura da disputa: a capacidade de um candidato ser escolhido por eleitores cuja primeira opção é outro concorrente.
A estratégia do segundo voto

É justamente nessa equação que Plínio Valério tenta construir seu espaço.

A lógica é simples: em uma eleição com dois votos para o Senado, o candidato não precisa necessariamente ser a primeira escolha de todos os seus eleitores. Pode também ser a segunda escolha de diferentes grupos.
Nesse cenário, Plínio pode aparecer simultaneamente como segunda opção para eleitores que tenham Eduardo Braga, Capitão Alberto Neto ou Wilson Lima como primeira escolha.

Se esse comportamento se confirmar nas urnas, a estratégia poderá produzir um efeito importante na disputa pela segunda cadeira.

O raciocínio é diferente de uma campanha baseada exclusivamente na conquista do voto como primeira opção. Trata-se de ocupar um espaço intermediário entre diferentes eleitorados.

Alberto Neto e o eleitorado bolsonarista

Capitão Alberto Neto entra na reta final com uma base eleitoral identificada principalmente com o campo bolsonarista.

O desafio da candidatura está na capacidade de transformar essa identificação em votação suficiente para conquistar uma das duas cadeiras.

Os levantamentos citados situam Alberto Neto em uma faixa próxima dos 15% a 20%, mantendo-o diretamente na disputa.

Outro movimento que pode entrar nessa equação é a declaração recente de lideranças do PL em apoio a Plínio Valério como segunda opção de voto. Caso esse movimento alcance parte do eleitorado identificado com o partido, poderá influenciar a distribuição do segundo voto na reta final.

Wilson Lima enfrenta o desafio de ampliar a base

Wilson Lima, por sua vez, enfrenta uma equação diferente.

O candidato do União Brasil deixou o cargo de governador para disputar uma vaga no Senado e, desde então, busca ampliar sua base política junto às lideranças dos municípios.

Manaus, que durante sua trajetória política foi um de seus principais redutos eleitorais, permanece como um território estratégico para a candidatura.

Os levantamentos citados, porém, apontam dificuldades para ampliar sua votação, especialmente diante do cenário de disputa acirrada pela segunda vaga.

A candidatura precisa conquistar espaço tanto entre eleitores que já possuem uma primeira opção quanto entre aqueles que ainda não definiram os dois votos.

O fator Manaus e o interior

A eleição também será marcada pela combinação entre Manaus e interior.

Manaus concentra a maior parcela do eleitorado do Estado, mas a votação nos municípios pode alterar significativamente a composição final da bancada.

Por isso, a capacidade de cada candidatura de transformar apoios políticos locais em votos efetivos será uma das variáveis importantes desta reta final.

Nesse aspecto, a estratégia de segunda opção ganha ainda mais relevância.

Um candidato que não seja a primeira escolha em determinado município pode, ainda assim, receber uma parcela significativa dos votos como segunda opção.

O cenário coloca Plínio Valério, Capitão Alberto Neto e Wilson Lima em uma disputa próxima pela segunda vaga. Enquanto Eduardo Braga aparece na liderança nos levantamentos citados, a segunda cadeira permanece em aberto.

Cinco dias para a definição

A reta final, portanto, não será apenas uma disputa pela preferência direta do eleitor.
Será também uma disputa pelo segundo voto.

A candidatura que conseguir transformar um maior número de eleitores em uma escolha complementar poderá alterar a fotografia apresentada pelas pesquisas.

A possibilidade de Plínio Valério avançar na reta final está relacionada justamente à capacidade de transformar seu desempenho como segunda opção em votos efetivos no dia da eleição.

Por isso, o resultado da segunda vaga pode apresentar uma diferença pequena entre os candidatos e até produzir um resultado diferente daquele indicado por parte dos levantamentos.

A decisão poderá ser voto a voto

Plínio Valério aparece nos levantamentos citados com desempenho relevante como segunda opção. Alberto Neto mantém uma base eleitoral própria. Wilson Lima busca ampliar sua votação. Eduardo Braga, por sua vez, parte de uma posição de liderança nos números apresentados.

A disputa pela segunda vaga ao Senado, portanto, permanece aberta — e a estratégia do segundo voto pode ser um dos fatores relevantes para definir quem ocupará a segunda cadeira do Amazonas no Senado Federal.

Nesta eleição, o voto que o eleitor dará como segunda opção poderá ter peso tão importante quanto o primeiro voto.

Altemir Viana é Sociólogo e Consultor Político

Artigo anteriorPrefeitura de Parintins convoca agricultores familiares para assinatura do beneficiário do PAA/2026
Próximo artigoNo debate, Dra. Shádia reforça atuação ao lado de David e apresenta plano para zerar fila do Sisreg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.