Tefé, minha saudade! A Educação (Escola Estadual Isidoro Gonçalves de Souza)

Professora Raimunda Gil Schaeken
Professora Raimunda Gil Schaeken
Professora Raimunda Gil Schaeken

Situada na Rua Brasília, nº100, no Bairro do Juruá, foi construída no governo do Sr. Henoch da Silva Reis, inaugurada no dia 12 de outubro de 1977, na presença do Secretário da Educação e Cultura, Prof. Mário Coelho Amorim, sua esposa Macrina de Souza Amorim, filha do patrono da Escola.

Também presentes na inauguração a Sra. Madalena Gonçalves de Souza, viúva do homenageado, e filhos José Silvestre do Nascimento e Souza e Margarida Gonçalves de Souza; a Sub-Secretária da Educação e Cultura Dra. Êmina Barbosa Mustafa, o Prefeito Municipal em exercício, Malaquias de Queiroz, a Diretora da Unidade Educacional, Profa. Virgilina Façanha Mendes, demais autoridades, professores, funcionários e alunos daquele Educandário, bem como várias pessoas da Comunidades e o Bispo Dom Joaquim de Lange, que fez a bênção da Escola.

A Escola recebeu esse nome em homenagem a um dos primeiros professores da cidade, um excelente educador e colaborador na educação das crianças e jovens da cidade de Tefé. Foi entregue oficialmente à Diretora Almerinda Pinheiro que conduziu a Escola durante muitos anos, com inteligência, competência e energia, até o dia que Deus a chamou para a felicidade eterna.

Oficialmente, foi criada através do Decreto nº 6.047/81 de 21 de dezembro de 1981 e pelo Decreto nº 12.137/89 de 21 de junho de 1989, quando passou a denominar-se Escola Estadual Professor Isidoro Gonçalves de Souza.

No início de suas atividades, oferecia o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries. Em 1985, a Escola passou a oferecer o Pré-Escolar e o 1º Grau da 1ª a 8ª séries. Atualmente, funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno com o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries e a EJA (Educação de Jovens e Adultos).

A Escola funciona em prédio de alvenaria, contendo as seguintes dependências: 8 salas de aula amplas e arejadas, diretoria, secretaria, sala dos professores (todas climatizadas), biblioteca, TV Escola, depósito de merenda  escolar, depósito de material de expediente e limpeza, cozinha, 3 complexos com os banheiros, sendo 1 para os meninos, 1 para as meninas e 1 para a administração. Existe uma quadra de esporte, corredores e um pátio interno coberto, onde são realizadas as reuniões com os pais e outros eventos.

A Escola Estadual Prof. Isidoro Gonçalves de Souza procura desenvolver suas atividades em consonância com a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional nº 9394/96 e das orientações da Resolução nº 99/97 do CEE/AM. É dirigida  pela professora Maria Salomé de S.P. Cavalcante.

Biografia do Prof.Isidoro Gonçalves de Souza

Nasceu no dia 6 de dezembro de 1884, em Nogueira, Município de Tefé, uma vila localizada à margem esquerda do Lago de Tefé, em frente a cidade do mesmo nome.Terceiro filho do casal Theodolindo Gonçalves de Souza e Theodolinda Araújo e Souza.
Católico praticante, aos 10 anos de idade, fez a sua primeira comunhão e não hesitava em dizer que aquele dia tinha sido o dia mais alegre e feliz de sua vida.

De seus pais adquiriu e soube aproveitar o acervo quase inesgotável de magníficos exemplos de uma vida cristã e virtuosa, sustentados no convívio salutar e educativo dos primeiros sacerdotes, seus mestres e amigos, chegados a Tefé no ano de 1897, pertencentes à Congregação do Espírito Santo.
Os quatro anos do curso básico, vividos no internato do Asilo Orfanológico da Boca do Tefé, sob a orientação dos sacerdotes e irmãos leigos, proporcionaram-lhe sólida e marcante educação humanística, aprimorando-lhe, prematuramente, os conhecimentos de religião, de história da humanidade, de música e caligrafia, fazendo-o adentrar no domínio do latim vulgar e do francês, idioma que lia, escrevia e falava quase corretamente.

Em 1922, quando completava 38 anos, casou-se com Madalena do Nascimento e Souza. Dessa união nasceram seus filhos  Theodolindo Surimã, Luís Ataualpa, José Silvestre, João Bosco, Danilo, Marcelo, Margarida Maria,  Macrina, Danilo, Isidoro, Maria Rosa, Helena Maria e Tarcisio Augusto.
De 1922, data de seu casamento, até 1973, quando morreu em Manaus,viveram sempre felizes, juntos, sacrificando-se, ao extremo, pela educação de seus filhos.

O nascimento dos primeiros filhos trouxe mudanças no seu dia-a-dia, fazendo duplicar suas atividades à procura de meios indispensáveis à assistência de sua família e da família de sua querida mãe e de seus irmãos que, por questões alheias a sua vontade, encontravam-se desempregados, vivendo, exclusivamente, do cultivo da mandioca e de outros produtos agrícolas.

Na sede do Município de Tefé, além de Professor, exerceu outras atividades burocráticas e administrativas, tais como Secretário Municipal, Prefeito, em substituição, Advogado e Promotor Ad-Hoc do Tribunal do Júri Popular.

Como professor, profissão que exerceu desde jovem,  veio a aposentar-se aos 74 anos. Inicialmente lecionou no Externato do Seminário São José, na sede do Município, percebendo salário insignificante, que permutava com a Direção do Estabelecimento de Ensino, em troca da educação de três filhos seus que ali estudavam, sob regime de internato.

Quando ainda se encontrava no interior do Município, tendo observado o aproveitamento de alguns alunos seus, em boa hora, fundou 5 escolas, localizadas nas povoações do Mapucuri, Boa Vista do Juarauá, Costa do Jacaré, Caburini e Paraná do Capucho, entregues aos cuidados desses alunos, que as administraram com eficiência e dedicação, colaborando, de maneira elogiável, com a educação no Município, ajudando a eliminar grande número de analfabetos existentes naquela região.

Depois de aposentado, passou a residir, em definitivo, na sede do Município, onde  se transformou numa fonte viva de consultas por parte dos jovens estudantes, de professores, de homens públicos, de gente humilde do povo, que o procuravam, constantemente, objetivando dissipar dúvidas a respeito de História Universal e Pátria, da História de Tefé e de seus habitantes de outrora, das tribos indígenas que ali habitaram durante vários anos.

Em 1917, quando ainda jovem, contando com a colaboração de autoridades e outras pessoas importantes da sociedade tefeense, fundou o Apostolado da Oração, objetivando, em comunidade, aproximar-se mais de Deus e difundir, no seio da grande massa de católicos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora.

Conhecia um pouco de espanhol, que aprendera no convívio de sua esposa, de nacionalidade peruana.

Cultivava o Tupi-Guarani, que herdara de sua bisavó, índia legítima, pertencente às tribos dos Uairiris e Surimauas, que habitavam em malocas, construídas às margens do Rio Solimões e Japurá e em alguns de seus afluentes. Nesse idioma, efetuou várias versões de Poesias, fábulas, desafios de violeiros, hinos, destacando-se, como principal, o Hino Nacional Brasileiro, que verteu para o Tupi, sob a denominação de Hino Tetamauara, que foi cantando em São Paulo, por intelectuais e alunos nas Escolas em que lecionavam, quando da comemoração de datas cívicas.

Dotado de uma memória prodigiosa, costumava, quando convidado para proferir palestras nas escolas, na Igreja e em associações religiosas e culturais, sobre assuntos diversos, ilustrá-las com citações em latim, em francês e em tupi-guarani, que traduzia ao pé da letra, para gáudio e admiração de seus ouvintes que, encantados, o aplaudiam entusiasticamente.

Católico praticante, quando em definitivo, fixou residência na cidade de Tefé, assistia à Santa Missa diariamente e sempre às 5 horas da madrugada, visto que a Matriz de Santa Teresa localizava-se bem próxima a sua residência.

Faleceu no dia 21 de setembro de 1973, em Manaus, de uma embolia cerebral, quando se preparava para celebrar as suas bodas de diamante, como também seus 90 anos de idade.

Sua morte foi edificante, deixando transparecer, de maneira clara e evidente, o reflexo positivo de seu viver terreno como bom filho, bom pai, bom esposo e excelente professor. Morreu, apertando ao peito a imagem do Sagrado Coração de Jesus, de quem era devoto desde a época em que estudou com os Sacerdotes da Congregação do Espírito Santo.(Prof. Isidoro Gonçalves de Souza: O Semeador do Saber, de José Silvestre do Nascimento e Souza).

RAIMUNDA GIL SCHAEKEN (Tefeense, professora aposentada, católica praticante, membro da Associação dos Escritores do Amazonas – ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas – ALCEAR.)

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