
No tabuleiro da política amazonense, a divulgação de pesquisas de intenção de voto infladas, sempre foi um instrumento de poder e, por vezes, de pura ilusão eleitoral e, certamente, um ‘tiro no pé’.
À medida que as articulações para as eleições gerais se aproximam de definições cruciais, uma prática recorrente e arriscada volta aos holofotes: a divulgação de números inflados de pré-campanha por candidatos majoritários (governo e Senado).
No entanto, o consenso entre diretores e analistas de institutos de pesquisa sérios no Amazonas é categórico: contratar levantamentos de conveniência para publicar resultados manipulados é o verdadeiro “tiro no pé”.
As sondagens internas de consumo de partidos e institutos que monitoram o estado de forma realista e sem artifícios de marketing apontam um cenário muito bem desenhado e distante do folclore digital das redes sociais:
● Omar Aziz na dianteira: O senador Omar Aziz consolida uma liderança robusta, despontando acima da faixa dos 30 pontos percentuais. Essa dianteira se sustenta fortemente em sua capilaridade política e recall de atuação no interior.
● David Almeida em segundo: O atual prefeito de Manaus, David Almeida, figura em segundo lugar, consolidado na casa dos 20 pontos, sustentando seu recall na capital, mas enfrentando as naturais oscilações decorrentes do desgaste de gestão e visibilidade urbana.
● Terceira colocação disputada: A professora Maria do Carmo na terceira posição, flutuando na faixa dos 15 pontos.
● Quarto colocado: À tiracolo do ex-governador Wilson Lima, o atual governador Roberto Cidade não consegue ultrapassar 14 pontos.

Roberto Cidade é “puxado” pra baixo por conta da amarga rejeição histórica de 80% de seu líder político. Wilson Lima é uma carga pesada demais que o indicado dele terá de carregar.
Qualquer narrativa de pré-campanha que tente desenhar um cenário diferente disso, seja tentando emplacar vitórias milagrosas em primeiro turno ou derretimentos fictícios de nomes consolidados, é encarada pelos especialistas locais como pura peça de propaganda ou fake news eleitoral.
Perigo do “Tiro no Pé” e a armadilha da autoilusão
A lógica de inflar números em pesquisas registradas com o objetivo de gerar um falso “efeito manada” (a ilusão de que o candidato está crescendo e, por isso, atrai o eleitor) costuma desmoronar por dois motivos:
● Perda de credibilidade de grupo: Quando o eleitorado percebe o abismo entre a propaganda fantasiosa e a realidade das ruas, o candidato perde o ativo mais precioso de uma campanha: a confiança.
● Paralisia de campanha (O salto alto): Ao divulgar números manipulados, a própria coligação muitas vezes passa a acreditar na mentira. O resultado é a desmobilização de cabos eleitorais, o relaxamento na busca de apoios e a acomodação da militância. O tombo nas urnas é inevitável.
Pesquisas não atingem 100% dos municípios
O calcanhar de aquiles das pesquisas rápidas ou baratas publicadas na pré-campanha reside na geografia do Amazonas. O estado é composto por 61 municípios no interior, além da capital Manaus.
Fazer uma pesquisa cientificamente precisa no Amazonas exige logística complexa e caro investimento financeiro: deslocamentos fluviais, aéreos e longas jornadas terrestres para cobrir as diferentes calhas de rios.
A esmagadora maioria das pesquisas divulgadas ao público geral foca massivamente em Manaus ou em um grupo muito reduzido de municípios polo de fácil acesso por estradas.
Análises de bastidores indicam que essas pesquisas de amostragem limitada não atingem 100% da realidade do interior e, portanto, mascaram a real preferência do eleitorado ribeirinho e interiorano.
Verdade das urnas
O interior do Amazonas decide eleições majoritárias; quem ignora essa dinâmica para poupar custos metodológicos acaba produzindo dados parciais que não se sustentam quando a apuração oficial começa.
Em ano eleitoral, a fantasia pode até pautar discussões de redes sociais e grupos de WhatsApp, mas a verdade das urnas costuma ser implacável com quem prefere se guiar pela conveniência do espelho em vez da dura e complexa realidade geográfica do povo amazonense.




