
Representantes da Igreja Católica pediram perdão no fim de maio às comunidades camponesas de Catacaos, no Peru, em um gesto simbólico de reparação por conflitos ligados à disputa de terras envolvendo empresas associadas ao Sodalício de Vida Cristã, organização dissolvida pelo Vaticano em 2025 após denúncias de abusos e corrupção.
As comunidades, descendentes do povo indígena Tallán, afirmam ter tido cerca de 10 mil hectares de terras transferidos de forma fraudulenta a partir de 1998, o que teria levado, anos depois, à entrada de empresas e à instalação de cercas em áreas tradicionalmente ocupadas por elas. Confrontos em 2011 teriam resultado em violência e na morte de um líder local.

Segundo investigações jornalísticas, parte dessas terras acabou vinculada a empresas ligadas ao Sodalício, embora a organização e entidades associadas neguem irregularidades e afirmem que todas as aquisições seguiram o marco legal peruano.
O pedido de perdão foi feito em uma missa celebrada por um enviado do Vaticano, que reconheceu atrasos e falhas da Igreja no acompanhamento do caso. A ação integra um processo mais amplo de investigação e dissolução do Sodalício, motivado por acusações de abuso de poder, corrupção e má gestão de bens.
Apesar disso, a disputa judicial segue em andamento no Peru, com decisões recentes desfavoráveis às comunidades, que agora consideram recorrer a instâncias internacionais.
*Com informação da bbc.com




