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Viagens curtas também exigem atenção e planejamento durante o feriado prolongado

Fernando Frazão/agencia brasil

Viajar poucos quilômetros, percorrer uma rodovia conhecida ou visitar um destino próximo de casa pode parecer uma atividade simples. No entanto, a familiaridade com o caminho não elimina os riscos do trânsito. Com o feriado de Finados, em 2 de novembro, que neste ano cai em uma segunda-feira, muitos brasileiros terão três dias de descanso, uma oportunidade para viagens rápidas e deslocamentos regionais. Nessas situações, um comportamento merece atenção: a tendência de reduzir os cuidados quando o percurso parece fácil ou rotineiro.

A percepção de segurança nem sempre corresponde às condições reais da viagem. Motoristas acostumados a determinado trajeto podem deixar de observar mudanças na sinalização, alterações no fluxo de veículos ou situações inesperadas. Além disso, a expectativa de chegar rapidamente ao destino pode favorecer decisões precipitadas, como ultrapassagens arriscadas e o desrespeito aos limites de velocidade.


Para a Perkons, empresa especializada em tecnologia para segurança e gestão do trânsito, a prevenção deve fazer parte de qualquer deslocamento, independentemente da distância. O excesso de confiança pode comprometer a capacidade de reconhecer riscos, especialmente quando o motorista acredita conhecer todos os detalhes da rodovia. “Conhecer o caminho não significa ter controle sobre o que acontece nele. As condições do trânsito mudam constantemente, assim como o comportamento dos outros motoristas. Por isso, a atenção precisa ser a mesma em uma viagem de poucos quilômetros ou em um percurso de longa distância. O excesso de confiança pode levar a decisões que colocam vidas em risco”, explica Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito.

Velocidade e ultrapassagens exigem atenção

A relação entre velocidade e segurança é um dos aspectos que merecem atenção especial durante os feriados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um aumento de 1% na velocidade média está associado a uma elevação de aproximadamente 4% no risco de sinistros fatais. O dado demonstra como pequenas variações na velocidade podem produzir consequências significativas para a segurança viária.

Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), divulgado pela Agência Brasil em maio de 2026, aponta que 49% dos sinistros analisados em rodovias federais, entre 2014 e 2024, estavam relacionados ao comportamento dos condutores. Entre os fatores identificados estão ultrapassagens em locais proibidos e excesso de velocidade. Os números reforçam a importância de manter uma postura preventiva ao volante, independentemente da distância percorrida.

A combinação entre pressa, excesso de velocidade e decisões arriscadas representa um desafio para a segurança viária. Mesmo em trajetos conhecidos, a presença de veículos pesados, mudanças nas condições meteorológicas e variações no movimento das rodovias exigem que o motorista esteja preparado para situações inesperadas. “A velocidade influencia diretamente o tempo disponível para reagir a um imprevisto e a gravidade de uma possível colisão. A fiscalização eletrônica contribui para estimular o cumprimento dos limites regulamentados, mas é fundamental que o condutor compreenda que respeitar a velocidade é uma medida de proteção, não apenas uma obrigação para evitar penalidades”, destaca Campos.

Pequenas viagens também precisam de preparação

A Polícia Rodoviária Federal recomenda que os cuidados com o veículo sejam adotados mesmo em deslocamentos curtos. A verificação das condições dos pneus, freios, iluminação e equipamentos obrigatórios deve fazer parte da preparação, assim como a consulta às condições da rodovia e à previsão do tempo.

O planejamento também ajuda a evitar a pressa. Definir previamente o horário de saída, considerar possíveis congestionamentos e não estabelecer prazos apertados para chegar ao destino são atitudes que favorecem uma condução mais tranquila. Outro ponto importante é evitar distrações. O uso do celular ao volante, a manipulação de aplicativos de navegação e a falta de atenção ao movimento da via podem comprometer a capacidade de reação do motorista. Mesmo em percursos realizados com frequência, é fundamental manter a concentração durante todo o deslocamento.

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