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Flávio Bolsonaro pode se ‘autoproclamar presidente interino do Brasil’ inspirado no venezuelano Juan Guaidó

Voo do fugitivo Flávio Bolsonaro pousou em aeroporto da região da cidade de Miami por volta das 10h30 após partir da Argentina. (Foto: reprodução/Reuters e canais brasileiros de notícias)

Hipótese de autoproclamação no exterior amplia preocupação com a soberania brasileira; eventual apoio de Trump ainda não significa reconhecimento de um governo paralelo

A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos abriu uma nova frente de tensão política no Brasil. Declarações de parlamentares e informações divulgadas pela imprensa colocaram em discussão a possibilidade de aliados do senador derrotado nas urnas tentarem construir, em território norte-americano, uma estrutura política que questione a legitimidade do governo brasileiro.


O cenário lembra o episódio venezuelano de 2019, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino e recebeu o reconhecimento dos Estados Unidos e de outros países.

Governo Auxílio

A comparação, entretanto, tem limites, e até o momento, não há confirmação de que Flávio tenha decidido reivindicar a Presidência a partir do exterior, nem de que o governo Donald Trump pretenda reconhecê-lo como chefe de Estado brasileiro. A discussão ganhou força após informações de que setores da direita defendem a criação de um chamado “governo no exílio”.

Segundo reportagem do SBT News publicada nesta quarta-feira (28), a proposta divide os próprios aliados de Flávio: enquanto alguns defendem a iniciativa, outros a consideram inviável. A existência dessa divergência demonstra que a hipótese está em debate, mas não comprova a existência de um plano formalmente organizado.

Trump declarou que aprovaria a entrada de Flávio nos Estados Unidos e voltou a questionar aspectos da eleição brasileira. A concessão de visto, porém, não equivale a reconhecer um governo paralelo, e qualquer iniciativa de contestação do resultado eleitoral precisaria ser examinada à luz da Constituição brasileira e das regras internacionais.

Eleições nos EUA

A conjuntura norte-americana também merece atenção. Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para 3 de novembro, Trump enfrenta índices baixos de aprovação: uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 27 de outubro registrou 32% de aprovação e 66% de desaprovação.

O resultado indica dificuldades políticas internas, mas não permite concluir, por si só, que o presidente norte-americano adotará determinada estratégia em relação ao Brasil.

Mais do que especular sobre os próximos passos do fugitivo Flávio Bolsonaro, a questão central é saber se sua permanência nos Estados Unidos será usada para organizar a oposição política dentro dos limites democráticos ou para estimular uma campanha internacional de deslegitimação das instituições brasileiras. A resposta dependerá de declarações, decisões e ações concretas dos envolvidos.

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