Viva o Movimento Feminista – por José Rosha

“Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu” - foto: arquivo/divulgação

Robinho, o atleta que se revelou estuprador, é o ícone de uma parcela considerável do universo masculino no Brasil que transforma o crime em “vitimismo” e credita à vítima a culpa pela violência sofrida. Estamos vivendo um tempo de perversão dos valores que a duras penas a Humanidade consolidou nos últimos dois milênios.

Essa explosão de misoginia de norte a sul, no que pese ter raízes em um sistema que perpetua a desigualdade, ganhou substância na narrativa bolsonarista. Durante muitos anos as mulheres foram confinadas ao silêncio, suportando todo tipo de violência em nome da preservação de um modelo familiar onde o homem considerava-se detentor de todos os direitos sobre as mulheres.

Mas nem todas suportavam essa situação caladas. Muitas deram tudo de suas vidas para que essa situação mudasse. E aos poucos foram conseguindo.

“Robinho diz que não errou em estuprar, mas em trair”, – foto: Urbs Magna

Rompiam o sistema de desigualdade exigindo o direito de votar e, posteriormente, de ser protagonista na política. Passaram a ocupar cada vez mais postos de comando, além de se destacar nas artes, na mudança de costumes e assumir a dianteira de instituições do mais alto nível.

Isso não aconteceu – e não acontece – de forma pacífica. As mudanças alcançaram as leis, mas nem sempre se traduziu em justiça. Com mais de dez anos de existência da Lei Maria da Penha – criada num momento de avanço das lutas das mulheres brasileiras – o Poder Público ainda deixa a desejar no que concerne a adotar as medidas protetivas para assegurar a integridade das mulheres agredidas.

E todos os avanços na legislação e nos costumes só se tornaram possíveis porque as mulheres se organizaram em muitas frentes. Um exemplo disso foi a atuação na Assembleia Nacional Constituinte onde, a despeito de pertencerem a partidos e bancadas com interesses antagônicos, a maioria delas se uniu em torno de causas comuns.

Em muitas categorias profissionais foi a atuação das mulheres que conseguiu assegurar em negociações direitos como auxílio para creche, licença maternidade e muitos outros.

Em outra frente, o movimento em defesa da mulher contra todas as formas de violência e pelo direito à igualdade tem contribuído significativamente para romper o silêncio que sempre submeteu meninas, jovens, mães, companheiras e tantas outras vítimas dessa violência secular.

Por tudo isso o movimento feminista é indispensável no nosso dia a dia. Só a cabeça desvirtuada de uma parcela da sociedade- representada por pessoas como o jogador Robinho-, faz questão de não entender porque ela se nutre exatamente da desigualdade e do preconceito.

J. Rosha é jornalista sindical, indigenista e assessor de comunicação do CIMI

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