
Após 08 anos no governo e em plena campanha, Wilson Lima e Roberto Cidade prometem resolver problemas graves e antigos na saúde de Tabatinga, mas deixam de explicar por que não resolveu antes, uma vez que estiveram à frente do governo ecom a caneta na mão para fazer isso.
A promessa de Wilson Lima (União Brasil) de resolver os problemas do pronto atendimento em Tabatinga, feita durante agenda política no Alto Solimões com apoio de Roberto Cidade (União Brasil), chama atenção por um detalhe difícil de ignorar: o agora candidato teve praticamente dois mandatos à frente do Governo do Amazonas para enfrentar uma deficiência antiga da saúde pública no município.
A questão, portanto, não está apenas no anúncio de uma solução, mas no tempo que ela levou para chegar. Problemas estruturais da rede de saúde de Tabatinga são conhecidos há anos e atravessaram boa parte da gestão de Wilson Lima.
Reforma que não aconteceu
Somente em janeiro de 2026, já na reta final de seu período no comando do Estado, o Governo do Amazonas anunciou o início da reforma e ampliação do Hospital Regional de Tabatinga. A própria Secretaria de Estado de Saúde (Susam) registrou oficialmente o início das obras em 21 de janeiro deste ano.
A situação ganhou contornos ainda mais delicados meses depois. Em julho, o Ministério Público do Amazonas abriu procedimento para apurar a paralisação parcial de serviços essenciais na Unidade Hospitalar de Tabatinga e na Maternidade Celina Villacrez Ruiz.
Clínica médica, ortopedia, ultrassonografia e neonatologia chegaram a ter atendimentos interrompidos por cerca de 24 horas devido a atrasos nos pagamentos a empresas terceirizadas.
Segundo o próprio MPAM, havia empresas com pagamentos atrasados referentes inclusive a novembro e dezembro de 2025, além de abril, maio e junho deste ano. Mesmo após o restabelecimento dos serviços, o Ministério Público informou que continuaria acompanhando o caso diante da persistência dos atrasos.
É nesse cenário que Wilson Lima retorna ao Alto Solimões garantindo que o problema será resolvido.
A promessa inevitavelmente abre espaço para uma pergunta: se a deficiência era conhecida e o Estado teve anos para enfrentá-la, por que a solução definitiva chega somente agora, às vésperas de uma eleição?
Não se trata de negar investimentos feitos durante a administração estadual, mas de confrontar o discurso atual com a realidade enfrentada pelos moradores de Tabatinga. Afinal, para quem depende da saúde pública, obra e promessa têm importância, mas o que realmente conta é o atendimento funcionando quando o cidadão precisa.
No Alto Solimões, a cobrança agora é simples: mais do que anunciar que vai resolver, Wilson Lima terá de explicar por que não resolveu antes.




