20 de novembro : Dia Nacional da Consciência Negra – Por Raimunda Gil Schaeken

Professora Raimunda Gil Schaeken (AM)

O Dia da Consciência Negra foi instituído pela Lei n. 9.315, de 20 de novembro de 1996, assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, traído e morto nesse dia, no ano de 1694.

Os quilombos, liderados por Zumbi, formavam a resistência ao sistema escravista que vigorava, e eram o principal motor responsável pela preservação da cultura africana no Brasil.

A desigualdade social entre brancos e negros, fruto de séculos de escravidão e décadas de discriminação, tende a diminuir com o passar dos anos. Devagar, sem muito alarido, quase silenciosamente, os negros vão conquistando seu espaço na sociedade brasileira. Muitos, entre eles, ocupam postos relevantes na política, na cultura, nos esportes. Destacam-se na música popular e projetam-se internacionalmente.

Professora Raimunda Gil Schaeken (AM)
Professora Raimunda Gil Schaeken (AM)

Zumbi, cujo nome verdadeiro era OGUNDELE (“guerreiro da casa”, em Nagô) era um predestinado, uma espécie de líder e general tribal, enviado da África para lutar pela liberdade de seus irmãos na América.

Etimologicamente, Zumbi é uma palavra de origem Ewe-Fon, dialetos originários do Dahomé e do Togo que significa “imortal, morto-vivo, fantasma”. Para o estudioso, Zumbi dos Palmares é o maior herói mundial da raça negra, e seu projeto de estabelecer uma república autônoma num país colonial foi algo absolutamente revolucionário. Por isso, a saga de Palmares, com dimensão semelhante à de Tróia, é para se refletir e nunca mais esquecer.

Zumbi, na saga pela libertação, estabeleceu a República do Quilombo dos Palmares, a mais bem sucedida aventura libertária do povo negro. Palmares resistiu quase 70 anos às expedições enviadas pelas autoridades governamentais. Chegou a abrigar em torno de 20.000 escravos fugidos. Foi destruído, em 1693, por um exército de mais de 6.000 soldados mercenários e assim mesmo porque, após um mês de cerco, a munição e os víveres acabaram. Zumbi conseguiu escapar. Dois anos mais tarde, foi capturado e morto. Partes de seu corpo foram expostas num poste, em praça pública, no Recife, como lição para quem tentasse fugir ou resistir à escravidão. Mas, para os negros, Zumbi não morreu. Ele está aí, animando as lutas de ontem e de hoje, em busca da libertação!

No dia da Consciência Negra o objetivo é fazer uma reflexão sobre o relevo da cultura e do povo africano e o impacto que tiveram na evolução da cultura brasileira. Sociologia, política, religião e gastronomia entre várias outras áreas, foram profundamente influenciadas pelas culturas negra e africanas. É dia de comemorar e mostrar profundo apreço pela cultura afro-brasileira. (Raimunda Gil Schaeken é professora Aposentada, Tefeense, católica praticante, membro efetivo da Associação dos Escritores do Amazonas – ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas –ALCEAR).

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