TCEAM
Início Colunas TCA, 40 anos, ainda não decolou – por Osíris Silva

TCA, 40 anos, ainda não decolou – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

O Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) foi assinado em Brasília, em 3 de julho de 1978 pelos oito países integrates: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Visa, em síntese, a promoção do desenvolvimento harmonioso e integrado da bacia, como base de sustentação de um modelo de complementação econômica regional de sorte a induzir o melhoramento da qualidade de vida de seus habitantes, a conservação e utilização sustentável de seus recursos.

De acordo com seus termos, o TCA prevê a colaboração entre os países membros para promover a pesquisa científica e tecnológica e o intercâmbio de informações; a utilização racional dos recursos naturais; a liberdade de navegação nos rios amazônicos; a proteção da navegação e do comércio; a preservação do património cultural; os cuidados com a saúde; a criação e a operação de centros de pesquisa; o estabelecimento de uma adequada infraestrutura de transportes e comunicações; o incremento do turismo e o comércio fronteiriço.


Em termos gerais, os macro objetivos do Tratado preveem a) promover a gestão ambiental da área dos projetos binacionais e incentivar seu desenvolvimento autónomo e sustentável, utilizando corretamente as suas potencialidades e respeitando as limitações dos recursos naturais; b) contribuir para melhorar a qualidade de vida da população mediante a geração de atividades produtivas e de fontes de trabalho, bem como o melhoramento ou instalação de infra – estrutura física e social básica que satisfaça as aspirações dos habitantes; c) promover a integração económica de cada área nacional nos respectivos países, assegurando que essa integração sirva de elemento dinamizador do desenvolvimento, e d) realizar o zoneamento ambiental como base para o ordenamento territorial e para implementação de modelos de produção que considerem a capacidade dos ecossistemas amazônicos dentro de um processo de desenvolvimento sustentável no qual participem ativamente os grupos humanos tradicionalmente assentados na região, incluindo as comunidades indígenas.

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

A assinatura do TCA levou em conta que, dentre outros fatores geopolíticos relevantes, a Amazônia, com uma população de aproximadamente 38 milhões de pessoas, ocupa 40% do território sul-americano e abriga a maior floresta megadiversa do mundo, habitat de 20% de todas as espécies de fauna e flora existentes, além da Bacia Amazônica, que contém cerca de 20% da água doce da superfície do planeta. Extraordinário complexo biodiverso que pode abastecer o mundo de alimentos e matérias primas estratégicas.

Decorridos quatro décadas, distante de prioridades governamentais e desprovida de adequada infraestrutura, a região tem servido especialmente de base logística para a produção e o trânsito de drogas, sobretudo no quadrilátero formado por Colômbia, Peru, Brasil e Bolívia, onde o narcotráfico cresce exponencialmente a cada ano. A despeito da criação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em 1998, os governos signatários têm-se mostrado ineptos no que concerne à construção de uma agenda desenvolvimentista com vistas à integração econômica e social plena das nações integrantes do bloco.

A Pan-Amazônia, conhecida por apenas diminuta camada da população, e relegada a segundo plano pelas instituições de ensino, extensão, pesquisa e desenvolvimento, governos e parlamentos signatários do TCA, continua essencialmente um projeto de integração e crescimento. A despeito dessas adversidades, a sociedade mantém-se confiante, na expectativa de intervenções governamentais capazes de gerar soluções pan-amazônicas sobre ciência, educação, cultura, artes, turismo, logística de transporte. Alicerces do florescimento de atividades agroindustriais, minerais e comerciais amplamente geradoras de emprego e renda. Estudos consolidados o demonstram: a região reúne plenas condições para a formação de um bloco economicamente sólido, socialmente justo e ambientalmente sustentável.

Manaus, 21 de maio de 2018.

Artigo anteriorUBS Fluvial vai atender mais de 3 mil pessoas em Coari
Próximo artigoCerca de 100 bairros ficarão sem água nesta quarta-feira (23)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.