
Um estudo com mais de 23 mil pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2 apontou resultados positivos de um programa de acompanhamento desenvolvido pela Hapvida. Publicada na revista científica internacional BMC Endocrine Disorders, a pesquisa mostrou melhora em indicadores clínicos e laboratoriais, além da redução de custos relacionados ao atendimento em saúde.
A análise acompanhou 23.516 pacientes entre 2017 e 2023, por um período médio de 20 meses. Durante esse intervalo, foram observadas melhoras em parâmetros como hemoglobina glicada, pressão arterial, peso corporal e perfil lipídico dos participantes incluídos no programa Viver Bem.
De acordo com o levantamento, os pacientes assistidos também apresentaram menor utilização de serviços de urgência, exames e tratamentos, quando comparados a pessoas com perfil semelhante que não participaram da iniciativa. Os pesquisadores destacam que esse comportamento contribuiu para reduzir os custos operacionais do sistema de saúde.
O estudo foi realizado pelo Centro de Pesquisa Clínica da Hapvida em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Nove de Julho (Uninove). Segundo os organizadores, trata-se de uma das maiores pesquisas de vida real sobre o manejo do diabetes em beneficiários da saúde suplementar no Brasil.
Para o diretor de Pesquisa Clínica da Hapvida, Rodrigo Sardenberg, os resultados reforçam a importância da organização do cuidado contínuo para pacientes com doenças crônicas. Segundo ele, além dos benefícios clínicos, estratégias que promovem o uso mais eficiente dos recursos podem contribuir para tornar os planos de saúde mais sustentáveis.
O Programa Viver Bem oferece acompanhamento permanente para pacientes com diabetes tipo 2, reunindo uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais de saúde. A iniciativa também inclui teleconsultas, orientação sobre hábitos saudáveis e suporte psicossocial, buscando fortalecer o vínculo do paciente com a atenção primária.
Podem participar pessoas com mais de 18 anos que atendam aos critérios clínicos estabelecidos pela operadora. Os pacientes elegíveis são identificados por exames laboratoriais e convidados a ingressar voluntariamente no programa.
Os autores ressaltam que a pesquisa é observacional e retrospectiva, sem grupo controle para avaliação dos desfechos clínicos. Dessa forma, os resultados demonstram associações observadas entre os participantes ao longo do acompanhamento, sem estabelecer relação direta de causa e efeito.
Ainda assim, os pesquisadores consideram que o volume de dados e a consistência dos resultados oferecem evidências relevantes para orientar políticas de atenção a doenças crônicas na saúde suplementar, especialmente em países de renda média.
O diretor médico de Programas Especiais e Qualivida da Hapvida, Ricardo Bezerra, destaca que o acompanhamento contínuo também altera a forma como os pacientes utilizam os serviços de saúde. Segundo ele, o cuidado estruturado reduz a necessidade de atendimentos de urgência e de procedimentos não planejados, contribuindo para maior eficiência operacional.
O estudo completo foi publicado em inglês na revista BMC Endocrine Disorders e está disponível por meio do DOI: 10.1186/s12902-026-02287-x.




