
Sob a diretriz da ATRICON, Tribunais de Contas apertam o cerco contra emendas parlamentares estaduais, forçando conformidade imediata na ALEAM enquanto auditoria do DENASUS expõe rastro de desvios na Calha do Purus
Um relatório técnico parcial apresentado pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) ao Supremo Tribunal Federal (STF) caiu como uma verdadeira bomba nos bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM).
O documento detalha desvios e fraudes que somam R$ 2 milhões em emendas Pix na saúde pública dos municípios de Pauini e Tapauá, localizados na Calha do Rio Purus.

O escândalo atinge diretamente o coração político do deputado Adjuto Afonso (União Brasil), único candidato na eleição suplementar para a presidência da Casa marcada para esta quarta-feira (15/07).
Escândalo no colo do governo Roberto Cidade
Um detalhe, Pauini é admininstrado pelo irmão de Adjunto, Renato Afonso (PSD), e Tapauá o prefeito é o Gamaliel Andrade (União Brasil), correligionário do grupo político que governa o Estado do Amazonas na atualidade.
Pauini também é a cidade natal de Adjuto Afonso e, ao lado de Tapauá, constitui o seu principal e histórico reduto eleitoral no interior do estado. Embora os repasses auditados sejam de origem federal, a revelação de que o “quintal político” do candidato à presidência virou palco de desvios milionários na saúde tensiona o plenário e ameaça o desfecho do pleito de amanhã.
Rastro de desvios na Calha do Purus
A fiscalização do DENASUS na Calha do Purus revelou um cenário desastroso para as populações locais, apontando que o dinheiro enviado para reforçar o atendimento médico simplesmente desapareceu em meio a irregularidades administrativas:
● Em Pauini (terra natal de Adjuto Afonso): A auditoria do órgão federal constatou um dano direto ao erário de R$ 1 milhão.
● Em Tapauá (vizinha de calha e base do deputado): Foi identificado o desvio de mais R$ 1 milhão de recursos públicos federais destinados à saúde.
Apagão de governança
Ambos os municípios sofrem historicamente com a escassez de infraestrutura de transporte e isolamento geográfico. Em vez de o recurso extraordinário trazer exames e medicamentos à calha do rio, o DENASUS constatou um completo “apagão de governança”, caracterizado pela ausência de rastreabilidade do dinheiro, falta de comprovação de despesas e nulidade do controle social.
Na decisão proferida nesta terça-feira (14/07/2026), no âmbito da ADPF 854, Dino determinou o envio imediato dos relatórios de auditoria à Polícia Federal (PF) para que as informações sejam anexadas a inquéritos em curso ou deem origem a novas investigações criminais.
O relatório parcial do DENASUS, que detalha especificamente os desvios de R$ 1 milhão em Pauini e R$ 1 milhão em Tapauá, faz parte desse pacote de documentos encaminhados à PF devido aos fortes indícios de crimes contra a administração pública e dano ao erário.
Duas decisões de Flávio Dino encurralam o parlamento estadual
A crise política ganha contornos dramáticos porque as duas principais pressões sofridas pela ALEAM hoje partem da mesma caneta: a do ministro Flávio Dino, do STF.
Por um lado, Dino é o relator da ADPF 854, que determinou a auditoria das emendas Pix e agora expõe as fraudes no reduto de Adjuto Afonso. Por outro lado, foi uma decisão liminar de Dino (na ADI 7984/AM) que suspendeu a regra de sucessão automática na ALEAM, anulando a permanência de Adjuto na presidência sem voto e obrigando a convocação da eleição suplementar desta quarta-feira.
ATRICON
Com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (ATRICON) orientando os TCEs a fiscalizarem as emendas impositivas estaduais com o mesmo rigor aplicado pelo STF no plano federal, os deputados estaduais do Amazonas sabem que o cerco fechou.
Ao subirem ao plenário neste dia 15 de julho, os parlamentares decidirão o futuro da Mesa Diretora sob a sombra de um escândalo que expõe como o dinheiro público da saúde foi drenado no reduto eleitoral de seu provável futuro presidente.




