Colunas Osiris Silva

Codam esvaziado – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação
Avatar
Escrito por Redação II

Presidida pelo secretário Jório Veiga Filho, da Seplancti, realizou-se, na quinta-feira, 27, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA), a 278a. Reunião Ordinária do CODAM. Embora hajam sido aprovados dez projetos industriais de implantação, trinta de diversificação e quinze de atualização, a pauta, todavia, foi o que menos contou. O que mais chamou a atenção da assembleia foi sem dúvida o esvaziamento do evento face ao não comparecimento do governador Wilson Lima e do secretário da Fazenda.

O empresariado aguardava um posicionamento do Chefe do Executivo em relação ao quadro conjuntural do Estado, no exato dia em que a Zona Franca de Manaus completava 52 anos, e os esforços empreendidos na busca de alternativas de fortalecimento da Zona Franca de Manaus. O momento seria de todo oportuno não apenas diante da data em si, mas da presença do novo superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, pela primeira vez presente à uma reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas, que, na ocasião discorreu sobre a montagem de sua equipe e do plano de trabalho.

Wilson Périco, presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (CIEAM), pronunciando-se a respeito, disse que a ausência do governador Lima ocorreu em momento que exigia sua presença. Nesse sentido enviou-lhe mensagem no WhatsApp assinalando o clima de frustração da classe empresarial, arguindo sobre que “agenda seria mais importante”que levasse ao não comparecimento do governador a tão importante reunião. Périco também registrou o descontentamento da classe empresarial ante o “remanejamento” de recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), aprovado pela Assembleia Legislativa, também naquela manhã.

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

Segundo a lei aprovada, o remanejamento de R$ 350 milhões (de um total de R$ 900 milhões), mutila a estrutura do Fundo ao repassar recursos de investimentos para custeio da Saúde (R$ R$ 280 milhões para pagamento de fornecedores e empresas terceirizadas contratadas e R$ 70 milhões a serem divididos com os 61 municípios do interior Estado). Périco também salientou que o FTI é formado por recursos gerados pelas empresas incentivadas, que precisam ser respeitados e aplicados de acordo com as finalidades a que, por lei, se destinam. Registre-se, por oportuno, que o Conselho do FTI, desde sua criação só se reuniu duas vezes, em 1997 e 1998.

O presidente da Faea, Muni Lourenço Filho, sentindo-se honrado em poder receber o Codam em seu auditório, manifestou confiança no crescimento do setor primário a partir deste ano em decorrência da nova estrutura orçamentário-financeira da Sepror, cuja participação no Orçamento público estadual elevou-se de 0,69% para 3%.A disponibilidade dessa massa de recursos, algo em torno de R$ 400 milhões no corrente exercício, segundo Muni, possibilitará ao sistema Sepror/Idam o empreendimento de obras, serviços, contratação e treinamento/reciclagem de pessoal técnico. O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, num pronunciamento contundente reafirmou a importância do “modelo ZFM como estratégico ao crescimento da região”. Não obstante, salientou, “precisamos agregar novas cadeias produtivas , com ênfase no setor agropecuário e na biodiversidade”.

O secretário Jório Veiga Filho comemorou o retorno das atividades regulares do Conselho estadual de Ciência e Tecnologia, que há cinco anos não se reunia, como indicativo de que avanços estão ocorrendo. Segundo afirmou “temos que aproveitar as condições institucionais de hoje, sobretudo em relação à interação governo-classes empresariais-Suframa para o maior fortalecimento do PIM, essencial ao futuro da economia amazonense”. Por seu turno, o presidente da Associação Comercial (ACA) registrou que o setor, último elo dos demais setores econômicos e grande gerador de empregos e arrecadação fiscal vem sofrendo muito com a crise, situação agravada pela falta de um porto público.

Manaus, 4 de março de 2019

Comentários

comentários

Deixe seu comentário

error: Ops! não foi dessa vez.