
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), subiu o tom contra seus principais adversários políticos ao revelar, nesta segunda-feira (23/02), os bastidores de uma reunião ocorrida em 24 de outubro do ano passado, data do aniversário de 356 anos da capital.
Segundo Almeida, o senador Omar Aziz (PSD) e o governador Wilson Lima (União Brasil) utilizaram o dossiê que fundamentou a Operação Erga Omnes como instrumento de coerção para forçá-lo a desistir da disputa pelo Governo do Amazonas e declarar apoio à candidatura do senador.
O gestor relatou que, ao ser confrontado com os documentos apresentados pela dupla, reagiu com desdém à consistência jurídica das acusações. “Vocês estão de brincadeira, né? Isso aqui não tem nenhum instrumento jurídico que o sustente”, teria dito o prefeito aos interlocutores na ocasião.
Tentativa frustrada
A denúncia de Almeida sugere que a operação policial, que culminou na prisão de sua ex-assessora Anabela Cardoso de Freitas, teria sido “encomendada” e articulada politicamente meses antes de ser deflagrada, servindo como uma espécie de ultimato para que ele permanecesse na prefeitura e liberasse o caminho para Aziz no pleito estadual, enquanto Wilson Lima concorreria ao Senado.
A revelação aprofunda a crise institucional entre o Paço Municipal e o Palácio da Compensa, expondo uma ruptura que David Almeida classifica como “instrumentalização do Estado para sujar sua imagem”.
Ao manter sua pré-candidatura e confirmar que entregará o cargo ao vice Renato Junior em abril, o prefeito desafia abertamente o grupo político de Wilson e Omar, reafirmando que não se curvará a pressões que considera fictícias e eleitoreiras.
O embate agora sai do campo das obras públicas e entra definitivamente na esfera criminal e estratégica, antecipando uma campanha marcada por acusações de espionagem e perseguição política no Amazonas.




