
O que começou como uma instituição financeira regional e de atuação discreta no interior do Rio Grande do Sul transformou-se em um dos casos mais delicados do sistema financeiro brasileiro. Ao longo de poucos anos, o então pequeno banco passou por uma expansão acelerada, marcada por mudanças societárias, operações de alto risco e questionamentos crescentes sobre governança e sustentabilidade.
A virada ocorreu após a aquisição da instituição pelo empresário e líder religioso Edir Macedo, quando o banco foi rebatizado como Banco Digimais. Amparado pelo poder financeiro do controlador e pela força de comunicação do grupo Record, o Digimais passou a perseguir um crescimento agressivo. Especialistas do mercado, no entanto, apontam que a expansão ocorreu sem o fortalecimento proporcional dos mecanismos de controle interno e de gestão de riscos.
Nesse processo, o banco se aproximou do Banco Master, assumindo carteiras consideradas problemáticas por analistas e se envolvendo em disputas judiciais bilionárias relacionadas a ativos classificados como de baixa qualidade. A estratégia ampliou a exposição a riscos justamente em um momento de deterioração do ambiente econômico.
Com o avanço da inadimplência no período pós-pandemia, os prejuízos se intensificaram. A deterioração dos indicadores financeiros afastou investidores institucionais, que passaram a evitar vínculos com a instituição por receio de danos reputacionais e incertezas quanto à sua solidez.
Nos bastidores, tentativas de venda do banco não avançaram. Paralelamente, o Banco Central aumentou o nível de monitoramento, enquanto o Digimais passou a depender de aportes emergenciais para manter suas operações em funcionamento.
Hoje, a trajetória do Banco Digimais é vista como um exemplo emblemático dos riscos de crescimento acelerado sem bases sólidas de governança, em um setor onde confiança e estabilidade são ativos centrais.
Fonte: Valor Econômico




