
Sinésio Campos cobra protagonismo da Aleam, discursa com tom crítico, mas vota com o governo na eleição de Adjuto Afonso
A eleição suplementar que levou o deputado Adjuto Afonso (União Brasil) à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta quarta-feira (15/07) também serviu para evidenciar o complexo xadrez de alianças para garantir a continuidade daqueles que dominam o parlamento estadual.
Um dos principais personagens desse cenário foi o deputado Sinésio Campos (PT). Ocupando cargos de extrema relevância institucional na Casa, ele é o atual Corregedor-Geral e também o presidente da Comissão de Ética da Aleam, o petista usou o microfone da bancada para fazer um “discurso contundente”.
Disfarce para justificar posição
O parlamentar criticou, disfarçadamente e justificando a sua possição de desgarrado da esquerda, a postura de submissão que, segundo ele, o parlamento estadual vem adotando diante do Poder Executivo nos últimos tempos. “Esta Casa precisa urgentemente reencontrar o caminho do protagonismo político e da harmonia real com a população amazonense”, cobrou o deputado em seu pronunciamento de voto.

Apesar da fala dura e das cobranças severas direcionadas à relação da Assembleia com o governo estadual, na hora de registrar sua escolha no painel eletrônico, Sinésio Campos votou “sim”, integrando o bloco bolsonarista de 19 votos que elegeu a chapa de direita liderada por Adjuto Afonso do União Brasil e, ao que se chama de grupo de apoio à forte aliança com o Partido Liberal (PL) – partido bolsonarista de extrema direita.
O pragmatismo do PT e o labirinto de alianças para outubro
O voto de Sinésio reflete a equilibrada corda bamba em que o Partido dos Trabalhadores (PT) se encontra no Amazonas. No plano nacional e nas tratativas locais para o pleito de outubro, o PT é um aliado histórico e de primeira hora do senador Omar Aziz (PSD), que desponta como pré-candidato ao Governo do Amazonas e cujo grupo de deputados votou em peso contra a eleição de Adjuto.
Aliança com o PL
Por outro lado, o PT de Sinésio Campos esteve, nos últimos sete anos e meio, firmemente alinhado com a base governista liderada pelo União Brasil no estado. Esse duplo posicionamento ganha contornos ainda mais complexos na atual conjuntura, uma vez que o grupo político do governo do União Brasil tenta costurar uma grande aliança partidária com o Partido Liberal (PL) para a disputa governamental, partido que nacionalmente é o principal opositor ao partido do presidente Lula.
Ao votar a favor do candidato do governo mesmo mantendo o tom de cobrança na tribuna, Sinésio Campos sinaliza que, embora as pressões e palanques eleitorais de outubro já dividam o plenário, o pragmatismo da governabilidade e os espaços internos do parlamento, como a corregedoria e a comissão de ética, ainda pesam mais na hora das decisões estratégicas do dia a dia na Aleam.




