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Doenças diarreicas registram 196 mil casos no Amazonas; saiba como prevenir

Foto: Divulgação/Magnific

Calor e estiagem do verão amazônico exigem atenção à qualidade da água, conservação dos alimentos e sinais de desidratação

Entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil registrou mais de 6 milhões de casos de doenças diarreicas agudas (DDA), dos quais 196 mil no Amazonas, segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde. O dado ganha importância durante o verão amazônico, período em que essas doenças se tornam mais comuns, principalmente devido ao risco associado ao consumo de água contaminada, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus.


Neste período, as altas temperaturas aumentam o risco de proliferação de bactérias em alimentos e reduzem o acesso à água potável para comunidades vulneráveis. O infectologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro, explica como ocorre a transmissão. “Entre as causas mais frequentes das doenças diarreicas estão vírus, como norovírus e rotavírus, além de bactérias e parasitas. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio de mãos, superfícies, e ingestão de água ou alimentos contaminados”, explica.

Crianças pequenas, especialmente lactentes, e idosos estão entre os grupos que exigem maior atenção devido ao risco de desidratação. A vulnerabilidade também aumenta em locais com acesso irregular à água tratada, saneamento precário ou dificuldades para conservar adequadamente os alimentos.

Orientações

A higiene das mãos continua sendo uma das medidas mais simples e eficazes para interromper as cadeias de transmissão. Ela é particularmente importante nas doenças diarreicas, pois ajuda a prevenir a transmissão via fecal-oral, citada pelo médico. Esta forma de contágio ocorre quando microrganismos presentes nas fezes contaminam mãos, utensílios, água ou alimentos e acabam sendo ingeridos.

Outro cuidado importante, especialmente em uma região quente como a Amazônia, é não deixar alimentos preparados por muito tempo à temperatura ambiente.

“O calor favorece a multiplicação de bactérias em alimentos conservados inadequadamente. Separar alimentos crus e cozidos, refrigerar adequadamente as sobras e cozinhar completamente carnes, ovos e pescados são medidas simples que reduzem o risco de infecções transmitidas por alimentos”, afirma Marcelo Cordeiro.

Em relação à água, a orientação é consumir apenas aquela de procedência segura. Quando não houver garantia de potabilidade, deve ser filtrada ou coada e, em seguida, desinfetada. Conforme orientação do Ministério da Saúde, uma das opções é adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água e aguardar 30 minutos antes do consumo. “Na falta do hipoclorito, a recomendação é filtrar ou coar a água e, em seguida, fervê-la por cinco minutos após o início da fervura”, orienta o especialista.

Foto: Divulgação/Magnific

Cuidados e alertas

A manipulação inadequada dos alimentos é outra forma de disseminação de microrganismos. Um exemplo é usar a mesma faca ou tábua para carne crua e para alimentos prontos para consumo, sem higienização adequada. O procedimento pode transferir bactérias para alimentos que não passarão por um novo cozimento.

“Lavar frango ou outras carnes cruas na pia também é desaconselhado. A água não elimina as bactérias e os respingos podem contaminar bancadas, utensílios e outros alimentos. O vinagre, por sua vez, não substitui produtos adequados para a sanitização de frutas e verduras”, alerta Marcelo Cordeiro.

As DDA são caracterizadas, em geral, pela ocorrência de três ou mais episódios de diarreia aguda em 24 horas, com diminuição da consistência das fezes. O quadro pode ser acompanhado de cólicas ou dor abdominal, náuseas, vômitos e febre. Em alguns casos, pode haver sangue ou muco nas fezes.

A avaliação clínica considera os sintomas e, principalmente, o estado de hidratação do paciente. Em situações específicas, exames laboratoriais podem ser solicitados para investigar o microrganismo responsável pela doença.

“Quando há indicação clínica, exames de fezes podem ajudar na identificação de parasitas, bactérias, vírus e toxinas. O exame parasitológico pesquisa parasitas, a coprocultura pode detectar bactérias, testes específicos podem investigar Clostridioides difficile [bactéria que causa infecções graves], especialmente em situações como uso recente de antibióticos ou internação, e painéis de PCR permitem pesquisar simultaneamente diferentes microrganismos”, explica a biomédica Daisy Albuquerque, da assessoria científica do Sabin.

Exames de sangue também podem auxiliar na avaliação da gravidade da infecção e da desidratação, permitindo verificar alterações relacionadas à perda de líquidos, ao funcionamento dos rins e à resposta inflamatória do organismo.

A principal complicação das doenças diarreicas é a desidratação, que pode evoluir rapidamente, sobretudo em crianças e idosos. Piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, dificuldade ou recusa para ingerir líquidos e alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da quantidade de urina também são sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar atendimento de saúde.

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