
Tadeu de Souza recua de promessa e brinca com candidatura após pesquisa onde ele aparecee na parte de baixo da tabela
O vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza (PP), protagonizou um momento de dubiedade política nesta sexta-feira (13/03), ao declarar-se “candidatíssimo” ao Governo do Estado.
A afirmação, feita em tom de brincadeira nos bastidores do lançamento do Festival de Parintins, no Teatro Amazonas, surge como uma reação direta à pesquisa do Instituto Direto ao Ponto, divulgada no início da semana, que o aponta com 10% das intenções de voto.
Tiro no pé
O sorriso que acompanhou a frase, no entanto, não esconde o dilema ético e estratégico: uma candidatura oficial neste momento seria interpretada como um “tiro no pé”, visto que o vice-governador deu sua palavra à sociedade de que cumpriria o mandato até o fim.
O recuo retórico de Tadeu contrasta com sua postura de apenas dez dias atrás. No dia 2 de março, imediatamente após o governador Wilson Lima (União) anunciar que não renunciaria para disputar o Senado, Tadeu de Souza foi categórico ao afirmar que “seguiria” o chefe do Executivo, permanecendo na vice-governadoria para garantir a estabilidade da gestão.
Credibilidade Zero
Quebrar essa promessa pública para embarcar em uma aventura eleitoral, motivado apenas por números iniciais de pesquisas, coloca em xeque a credibilidade do vice-governador diante de um eleitorado que valoriza a palavra empenhada.
Durante a coletiva, o tom mudou da descontração para a cautela técnica. Ao ser confrontado com os 10% da pesquisa, Tadeu esquivou-se da “brincadeira” anterior e admitiu que o tema está em debate interno no partido e com Wilson Lima, que se manteve em silêncio absoluto durante a fala do vice.
Fora do ninho
Wilson Lima, alías, estava sem lenço e sem documento em um evento protagonizado pelo seu rival, o prefeito Mateus Assayag, que teve que enfrentar um esquema criminoso montado pelo governador durante a sua eleição em 2024, o hiper-divulgado “QG do Crime”, em Parintins.
A movimentação política no Teatro Amazonas também atingiu Roberto Cidade (União), que desconversou sobre uma possível composição com Omar Aziz (PSD).
Para Tadeu, o desafio é sair da zona do “disse-me-disse”: ou mantém a fidelidade ao compromisso assumido com o povo amazonense de não ser candidato, ou assume o risco de desgaste político ao tentar converter uma sondagem momentânea em um projeto eleitoral precoce.
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