Etanol atinge o menor preço este ano, em Cuiabá

Litro chega a R$ 1,85 em Várzea Grande; baixa é aguardada pelos consumidores, que esperam por mais reduções na bomba.

Litro chega a R$ 1,85 em Várzea Grande; baixa é aguardada pelos consumidores, que esperam por mais reduções na bomba.
Litro chega a R$ 1,85 em Várzea Grande; baixa é aguardada
pelos consumidores, que esperam por mais reduções na bomba.

O litro do etanol hidratado atingiu nessa semana, em Várzea Grande, o menor preço do ano ao consumidor: R$ 1,85. Desde o início da safra da cana-de-açúcar no Estado, ainda em meados de março, o mercado vinha aguardando as baixas em razão do aumento da oferta. Considerando o valor médio de R$ 2,29, quando a moagem teve início, até agora, o valor na revenda reduziu pouco mais de 19%, em quatro meses.

Com esse novo valor a vantagem do hidratado sobre a gasolina aumenta. Se até a entressafra da cana-de-açúcar o teto de 70% estava muito próximo de ser atingido, agora o fôlego é maior, variando de 64% a 61%, conforme o preço de bomba para cada um dos combustíveis. Quanto mais o etanol tiver o preço reduzido e do gasolina estacionado, maior será a competitividade do derivado da cana. Em razão da relação custo-benefício, a vantagem do etanol existe até o limite de 70% do valor da gasolina, acima disso, em função de uma maior queima, o derivado do petróleo é mais competitivo.

A queda é percebida pelo consumidor, mas ainda é considerada tímida. A dona de casa, Liliana Marques, comemora a queda. “Na sexta-feira, cheguei para abastecer e ia colocar gasolina. Quando parei na bomba estava de frente à placa com preços e ao ver o etanol a R$ 1,85, não titubeei, pedi R$ 80 de etanol e quase completei o tanque. Mesmo mais barato, esse valor está bem distante dos R$ 1,05, R$ 1,07 que pagávamos há cerca de dois, três anos”. O frentista do mesmo posto em que Liliana abasteceu, no Cristo Rei, em Várzea Grande, disse que a tendência é de quedas a partir de agora, mas não soube precisar qual pode ser o piso do litro neste ano, durante a safra.

Se para os motoristas fica a sensação de que a queda poderia ser maior, o Diário mostra que pelo menos em relação ao ano passado, ela já é. Na última semana de julho de 2013, o preço girava em torno de R$ 1,97 na bomba. Nessa safra o litro veio sendo reduzido de forma bastante lenta, tanto que em junho, a redução na usina, ou seja, o preço ao produtor havia caído mais do que o valor de bomba. Como apontou na época o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool/MT), de 28 de abril a 30 de maio, o preço do litro na usina, saindo com todos os impostos, passou de R$ 1,721 para R$ 1,587, queda de 7,78%.

Nas revendas de Cuiabá e Várzea Grande, os preços seguiam iguais ao período da entressafra, em cerca de R$ 2,29 por litro. De junho até agora os preços passaram para cerca de R$ 2,19, R$ 2,09, R$ 1,99, R$ 1,90 até o menor preço encontrado pelo Diário, ontem, em Várzea Grande.

De acordo com o frentista – que pediu anonimato – as baixas estão chegando às bombas na medida em que chegam das distribuidoras. “Em função da safra é natural que o preço siga caindo, agora quanto ele vai cair, não depende de nós {posto}”.

LENTIDÃO – Se no ano passado, nessa mesma época do ano o valor médio do litro do etanol, em Mato Grosso, disputava as primeiras colocações do ranking nacional com o valor mais barato, até a semana passada, com média de R$ 2,14 no Estado, era o quarto mais barato do país.

Conforme levantamento semanal da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana terminada no dia 5 de julho, o estado de São Paulo apresentava o menor valor médio de bomba, R$ 1,89, seguido do Paraná (R$ 1,99), Goiás (R$ 2,04) e Mato Grosso (R$ 2,14).

Nas últimas quatro semanas, conforme dados coletados pela ANP em oito cidades de Mato Grosso – Sinop, Sorriso, Cáceres, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Santo Antônio de Leverger e Alta Floresta – o preço médio na revenda encolheu 3,60% ao passar de R$ 2,22 para R$ 2,14. No mesmo período o movimento dos preços médios nas distribuidoras aponta queda de apenas 1,73%, passando de R$ 1,73 para R$ 1,70.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo/MT) lembra que o segmento revendedor é livre para definir os preços dos combustíveis. “Mesmo verificando queda nos preços nas usinas, há expectativa de que nas próximas semanas as distribuidoras repassem para os postos mais reduções”.

A FARRA – Conforme pesquisa do Diário, em maio do ano passado, o preço médio no Estado para o litro do hidratado estava abaixo de R$ 2.

Conforme avaliação do segmento produtor, dificilmente os preços da chamada temporada de ‘farra do etanol’, até 2009, quando os preços chegaram até: R$ 0,99, se repetirá. Em julho de 2009, por exemplo, o litro estava valendo R$ 1,03 nas bombas e é esse valor que segue permeando a expectativa do consumidor. O valor recorde é R$ 2,45, março de 2006.

(Diário de Cuiabá)

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