
A desistência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do último debate presidencial da TV Globo, na noite de quinta-feira (1º), abriu uma pergunta que rapidamente tomou conta das redes sociais e passou a ser explorada por adversários: o candidato “amarelou” por discordar das decisões judiciais ou recuou diante da possibilidade de enfrentar Renan Santos (Missão) ao vivo?
Não há elemento que poss afirmar o “medo” de Renan. Mas a sequência dos acontecimentos ajuda a explicar por que essa interpretação ganhou espaço.
Perguntas para a cadeira vaziz
Flávio anunciou que não iria mais ao debate alegando “censura” depois que o Tribunal Superior Eleitoral proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio de Luiz Inácio Lula da Silva e que ele poderia fazer perguntas para a cadeira vaziz.
A Globo também recebeu, naquela noite, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, garantindo a participação de Renan Santos. Com a “amarelada” de Flávio, a emissora cancelou o programa.
Renan previu
Dias antes, o próprio candidato do Missão havia afirmado à Folha que acreditava que Flávio poderia desistir caso ele fosse incluído: “Se eu for, o Flávio não vai”, disse Renan em 28 de setembro. Naquele momento, sua presença ainda não estava garantida pelas regras originais da Globo.
Depois de conseguir autorização judicial para participar, Renan pediu publicamente que Flávio mantivesse sua presença no encontro e afirmou que o Brasil precisava conhecer suas propostas. Também provocou o adversário para que não “fugisse”.
A Folha registrou ainda que havia expectativa de que Renan, diante da ausência de Lula, se tornasse um dos principais contrapontos a Flávio durante o debate.
Foi essa combinação, entrada de Renan, retirada da possibilidade de explorar o púlpito vazio de Lula e desistência de Flávio, que abasteceu a afirmativa de que o candidato do PL “amarelou”.
Desculpas de Flávio
Flávio Bolsonaro declarou que sua retirada ocorreu por causa do que classificou como interferência do Judiciário e “censura” às regras do debate. Ele queria que a emissora mantivesse a cadeira vazia, para ele fazer perguntas direcionado à cadeira, alegando que a imprensa deveria ter liberdade para estabelecer as regras do programa.
Flávio comunicou a desistência minutos antes da divulgação da decisão de Gilmar Mendes que garantiu formalmente Renan Santos no debate. Esse detalhe impede que se apresente como fato comprovado que a participação de Renan tenha sido a causa direta da retirada.
Acusador amarelou
Antes de desistir, Flávio vinha chamando o presidente Lula de “fujão”. A própria estratégia da campanha previa utilizar a cadeira ou o púlpito vazio para enfatizar que Lula havia se recusado a participar. Com a decisão do TSE, essa possibilidade desapareceu. Pouco depois, Flávio também ficou fora do confronto.
Renan afirmou depois do cancelamento que Flávio havia “fugido” do debate. Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, também atacou a decisão e atribuiu a ausência de Flávio a medo, usando inclusive a expressão “covarde”. São declarações políticas dos adversários, não conclusões comprovadas sobre a motivação do candidato.
O debate que não aconteceu
Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) já estavam nos estúdios da Globo quando o encontro foi cancelado. Renan também seguia para a emissora depois da decisão judicial que autorizou sua participação.
Ou seja, Flávio pretendia chegar à Globo explorando a ausência de Lula e terminou a noite também “fugindo”, justamente quando Renan Santos conquistava o direito de entrar no palco.




