Furacão Dorian toca solo americano e segue rumo ao norte

Foto: Tom Copeland/AP

O olho do furacão Dorian tocou o solo dos EUA ao atingir uma fileira de ilhas no litoral do estado da Carolina do Norte às 9h35 (hora de Brasília) desta sexta-feira (6). Ele chegou à região com ventos e altas ondas, dias após ter devastado parte das Bahamas.

Apesar de ter oficialmente chegado ao território americano, a previsão é de que não cause a destruição vista nas Bahamas porque ele ruma na direção nordeste, ou seja, deve voltar para o oceano, e não adentrar o continente. Na manhã desta sexta, ele foi rebaixado à categoria 1 da escala Saffir-Simpson.

O Dorian está com ventos sustentados de até 150 km/h, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês).

Já houve fortes chuvas na região costeira entre as cidades de Charleston, na Carolina do Sul, e Wilmington, na Carolina do Norte – a uma distância de cerca de 275 quilômetros.

“A chuva está se direcionando para o norte”, disse o NHC.

Vários moradores da costa da Carolina do Norte Norte acataram as ordens de deixarem suas casas, mas outros protegeram suas residências com placas de madeira e se preparavam para enfrentar o furacão.

Em Charleston, Carolina do Sul, os fortes ventos já derrubaram árvores, semáforos e postes de luz. As ruas estavam desertas e a maioria dos comércios tinha as janelas tapadas.

Foto: Tom Copeland/AP

Flórida aliviada

O estado da Flórida saiu em grande medida ileso da passagem de Dorian. “Tivemos sorte na Flórida. Muita, muita sorte na verdade”, disse o presidente Donald Trump.

O Dorian soprava com intensidade de categoria 5 quando se instalou durante quase dois dias sobre o norte das Bahamas, onde causou grande destruição.

A cidade de Marsh Harbour enfrenta danos catastróficos: centenas de casas completamente destruídas, carros virados, campos inteiros de escombros e inundações generalizadas.

Nesta quinta, era possível ver alguns residentes ainda aturdidos pela tempestade tinham saído às ruas arrastando suas malas com suas posses mais valiosas.

A extensão do dano nas Bahamas começou a ser conhecida na quinta-feira, à medida que as equipes de socorro conseguiram percorrer a área para resgatar sobreviventes e levar ajuda às vítimas.

O primeiro-ministro Hubert Minnis disse que o furacão deixou uma “devastação geracional”. Há ao menos 30 mortos, e este número deve aumentar.

As Nações Unidas enviarão “em breve” oito toneladas de suprimentos às Bahamas, onde cerca de 76 mil pessoas podem estar precisando de ajuda, 60 mil delas na forma de comida, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

“As projeções realizadas logo antes do impacto do ciclone indicam que mais de 76.000 pessoas em Ábaco e Grand Bahama podem estar precisando de comida ou ajuda humanitária”, informou um porta-voz da agência especializada da ONU, Herve Verhoosel.

O secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, disse depois de se reunir com Minnis que precisa-se com urgência de abrigos, água potável, alimentos e remédios para cerca de 50.000 pessoas em Grand Bahama e para entre 15.000 e 20.000 em Grande Ábaco.

“É um inferno por todos os lados”, disse à AFP Brian Harvey, um canadense que vive em Ábaco.

“Precisamos sair daqui”, acrescentou. “Passaram-se já quatro ou cinco dias, é hora de ir embora”.

Steven Turnquest, que foi de Marsh Harbour para Nassau com seus filhos de quatro e cinco anos, disse à AFP que tem sorte de estar vivo.

“Vejo meus filhos e agradeço a Deus, peço a ele que me leve, mas não leve meus filhos. Sobrevivi ao furacão me segurando em uma porta”, contou.

Minnis advertiu que os saqueadores serão punidos “com todo o peso da lei” e afirmou que haviam sido mobilizados agentes adicionais das forças de segurança.

A Guarda Costeira americana e a Marinha Real britânica têm transportado sobreviventes e provisões de emergência na medida em que as águas das inundações retrocedem nas Bahamas.

“Estamos correndo contra o tempo para ajudar os necessitados”, disse o secretário-britânico de Desenvolvimento Internacional, Alok Sharma.

Em Grand Bahama foram usadas motos aquáticas e botes para retirar vítimas das casas inundadas ou destruídas pela tempestade.

Helicópteros americanos e britânicos têm feito evacuações médicas e avaliações aéreas para ajudar a coordenar os esforços de socorro e voos de reconhecimento para conhecer os danos.

A Guarda Costeira americana disse que havia resgatado 135 pessoas nas Bahamas nesta quinta-feira com 10 helicópteros e três barcos.

Fonte: G1

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