Grilar e desmatar terras é preciso muito dinheiro. O oposto do que disse Guedes

Foto: Reprodução

Em artigo nesta quarta-feira (22) no jornal O Globo, Miriam Leitão deu uma invertida no ministro da Economia, Paulo Guedes, que durante discurso nesta terça-feira (21) no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, afirmou que os pobres “destroem o meio ambiente porque precisam comer”.

“Não é a pobreza que desmata. Para grilar e desmatar é preciso capital. Muito capital”, escreveu a jornalista, ressaltando que esse é um discurso repetido no governo Jair Bolsonaro, já dito algumas vezes pelo ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“Quanto custa uma motosserra? E várias delas? Quanto custam tratores, correntões, caminhões? Tudo isso é necessário para desmatar. Um método primitivo, mas muito usado, é o correntão. Ele vai arrastando as árvores, mas não funciona sem tratores. São necessários dois, um de cada lado. Quanto custam dois tratores? Depois, é preciso ter caminhões para transportar as toras até o consumo. Mas, antes, é necessário ter uma escavadeira hidráulica com garra de metal para empilhar as toras nos caminhões. Capangas armados ocupam a terra que está sendo grilada. Fazem isso a soldo. De quem? Documentos são esquentados, como as guias de transportes. São comprados títulos falsos de propriedade”, escreve a jornalista no início do texto, com uma série de indagações.

Miriam ainda relembra a alta de 30% no desmatamento da Amazônia em 2019, segundo dados no Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).

“Há muitos estudos provando a correlação direta entre o aumento do desmatamento e o das queimadas. Não houve um surto de alta da pobreza que explicasse o que aconteceu em 2019. O que houve foram sinais do governo de que o crime não seria combatido”, escreveu Miriam, invertendo a tese de Guedes.

“O pobre é a grande vítima da destruição do meio ambiente. Ele é recrutado como mão de obra em trabalho degradante, depois é ele que vive os efeitos da degradação da terra, da água e do ar. A falta de saneamento contamina principalmente as regiões onde moram os pobres. Os lixões se acumulam é nas periferias. Nos extremos climáticos são os pobres os mais afetados. Eles não são os agentes da destruição ambiental. São suas primeiras vítimas”.

Fonte: Revista Forum

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